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Home Cidade e Região

Basílica do Carmo é a guardiã das Relíquias de Santa Cristina, a padroeira dos deprimidos

Chegada dos ossos da santa completam 15 anos e atraem milhares de fiéis a templo católico do Centro de Campinas

Gustavo Abdel Por Gustavo Abdel
24 de fevereiro de 2025
em Cidade e Região
Tempo de leitura: 5 mins
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Basílica do Carmo é a guardiã das Relíquias de Santa Cristina, a padroeira dos deprimidos

Reitor da Basílica do Carmo, padre Rogério Cancian, relembra que a chegada das relíquias foi marcada por uma solene cerimônia presidida pelo então arcebispo de Campinas, Dom Bruno Gamberini - Foto: Gustavo Abdel/Hora Campinas

No coração de Campinas, a imponente Basílica Nossa Senhora do Carmo guarda um tesouro de imensurável valor espiritual para os católicos. Os ossos de Santa Cristina, considerada a padroeira dos deprimidos, repousam aos pés de sua imagem, sob o altar lateral do Coração de Jesus.

Essa relíquia completará 15 anos da sua chegada até a Basílica, e desde então já atraiu milhares de fiéis que buscam paz e acolhimento ao visitarem o templo.

Na placa de bronze fixada sob as relíquias e a imagem de cera de Santa Cristina está escrito: “Aqui estão relíquias entregues pelo Papa Pio XI ao bispo de Campinas, Dom Francisco de Campos Barreto, em 1927, e doadas pela congregação das Missionárias de Jesus crucificado a esta basílica em 2010”

 

É possível ver os pequenos ossos da santa, que, segundo os registros da igreja católica, morreu no ano 300 d.C, aos 12 anos.

 

Tornou-se santa após sofrer perseguição violenta do próprio pai, Urbano, um oficial do Império Romano que não aceitava a devoção da filha. Segundo a história, o pai teria morrido após anos de depressão.

O reitor da basílica, padre Rogério Cancian, relembra que a chegada das relíquias foi marcada por uma solene cerimônia presidida pelo então arcebispo de Campinas, Dom Bruno Gamberini (falecido em 2011), acompanhada por clérigos e fiéis.

 

 

“Santa Cristina, conhecida por sua fé inabalável e por enfrentar perseguições devido à sua crença, é invocada por aqueles que sofrem de depressão e angústia. A presença de suas relíquias na Basílica do Carmo tornou o local um centro de peregrinação e oração, onde devotos de toda a região buscam sua intercessão para alívio espiritual”.

 

Para os frequentadores da Basílica, a presença das relíquias da santa representa mais do que um símbolo religioso; é um convite à reflexão, à esperança e à superação.

 

“Nos momentos em que estou com pensamentos confusos, sem perspectivas, me ajoelho em frente ao túmulo da Santa Cristina e rogo por dias melhores”, revelou, logo após suas orações, a devota Maria Salete Cunha, 64 anos.

Além de Salete, na manhã daquela quarta-feira, dezenas de fiéis rezaram, acenderam velas e observaram a imagem da santa deitada em sua urna relicário transparente. “Quantas curas os devotos afirmam receber ao visitarem o túmulo de Santa Cristina”, relata o pároco.

 

A data em que a Igreja celebra o Dia de Santa Cristina é 24 de julho.

 

Doação está relatada numa placa de bronze fixada sob as relíquias e a imagem de cera de Santa Cristina na Basílica do Carmo, em Campinas – Foto: Gustavo Abdel/Hora Campinas

 

A chegada das relíquias da santa

A Basílica de Nossa Senhora do Carmo é um símbolo histórico e religioso de grande importância. Sua origem remonta à primeira igreja matriz da cidade, inaugurada em 25 de março de 1781, na então freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campinas do Mato Grosso. O local se tornou a “cella mater” da cidade, sendo um ponto de referência para a formação e o desenvolvimento urbano.

Ao longo dos anos, a Matriz do Carmo passou por diversas transformações, sendo reconstruída em estilo neogótico e inaugurada em 1941. Em 1974, recebeu o título de Basílica Menor do Papa Paulo VI, consolidando-se como um espaço de grande relevância espiritual.

 

Prédio atual da Basílica do Carmo, que foi inaugurada nos anos 40, perto do Marco Zero da cidade – Foto: Leandro Ferreira/Hora Campinas

 

Um dos acontecimentos marcantes na história recente da Basílica foi a chegada das relíquias de Santa Cristina. A iniciativa para a obtenção da relíquia partiu do pároco Cônego Pedro Carlos Cipolini, que, em 2009, solicitou ao então arcebispo de Campinas, Dom Bruno Gamberini, que iniciasse o processo de aquisição.

 

O pedido foi feito às Missionárias de Jesus Crucificado, congregação fundada por Dom Francisco de Campos Barreto, que teve forte ligação com a Basílica do Carmo.

 

Em resposta ao pedido, a Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado formalizou a doação das relíquias de Santa Cristina à Basílica. No documento, expressaram a importância histórica e espiritual desse ato:

“Dom Barreto doou as Relíquias à Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado, por ele fundada em Campinas. As relíquias foram sempre conservadas na capela da Casa Geral da Congregação e, desde 1942, se encontram na capela da Casa de Nossa Senhora, à Praça Dom Barreto, 42 – Ponte Preta, em Campinas.

É com prazer que a Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado faz a doação das Relíquias de Santa Cristina à Basílica de Nossa Senhora do Carmo, em memória de seu fundador, Dom Francisco de Campos Barreto, que nesta Basílica foi batizado, foi coroinha, depois pároco e aí foi nomeado bispo, tendo posteriormente, como bispo de Campinas, fundado nossa Congregação, nesta paróquia de Nossa Senhora do Carmo.

As Relíquias de Santa Cristina presentes na Basílica poderão ser veneradas pelo povo. E, sendo mártir pela fé, ela intercederá pelo fortalecimento de nossa fé.”

A solenidade de traslado das relíquias ocorreu em 23 de outubro de 2010, reunindo fiéis, o clero campineiro e as irmãs missionárias de Jesus Crucificado. A cerimônia contou com uma missa solene presidida por Dom Bruno Gamberini, com a presença de Dom Pedro Carlos Cipolini, bispo de Amparo e ex-pároco da Basílica.

 

Os ossos de Santa Cristina, considerada a padroeira dos deprimidos, repousam aos pés de sua imagem, sob o altar lateral do Coração de Jesus, na Basílica do Carmo – Foto: Gustavo Abdel/Hora Campinas

Os túmulos de Santa Cristina: história e devoção

De acordo com registro de historiadores, o corpo de Santa Cristina foi sepultado pelos cristãos nos cemitérios subterrâneos de Bolsena, região do Lácio, na Itália. Após o Edito de Milão (ano 313 d.C.), quando o Império Romano estabeleceu a liberdade de culto, construiu-se um primeiro oratório subterrâneo sobre a tumba da santa mártir, e seu corpo foi colocado em um sarcófago de pedra.

Sobre seu túmulo ergueu-se a Basílica de Bolsena que, ao longo dos séculos, foi ampliada e enriquecida pela devoção popular, assim como por príncipes e papas.

 

Um dos mais importantes monumentos construídos sobre a tumba de Santa Cristina, no século IX, ficou conhecido como Altar do Milagre.

 

Segundo a tradição, nesse altar ocorreu o famoso prodígio eucarístico de 1263, quando o sacerdote Pedro de Praga, ao celebrar a missa diante do túmulo da santa, viu a hóstia transformar-se em carne e o vinho em sangue.

Com o passar dos anos, perdeu-se o local exato da tumba de Santa Cristina, até que, em 5 de agosto de 1880, seu sarcófago foi redescoberto durante escavações e restauros nas catacumbas da basílica. Dentro, encontrava-se uma pequena urna marmórea contendo vários ossos misturados com terra e pó de madeira, identificados por peritos como pertencentes a um corpo de uma jovem entre 11 e 12 anos.

 

As escavações foram realizadas por iniciativa do bispo Dom Briganti, sob a orientação dos arqueólogos Giovanni Battista De Rossi e Enrico Stevenson.

 

Nesta ocasião, foi construído um monumento fúnebre, com uma bela estátua mortuária de Santa Cristina, esculpida por Benedetto Buglioni, hoje exposta na Basílica de Bolsena.

A urna marmórea continha a inscrição: “Aqui repousa o corpo da beata Cristina mártir”. O sarcófago apresentava um rombo na parte traseira, confirmando a tradição do furto ou remoção de parte das relíquias da santa ao longo dos séculos.

Em 1727, o bispo Porfírio expôs à veneração pública parte dos ossos de Santa Cristina. Essas relíquias passaram pelo Mosteiro de São José em Roma antes de chegarem a Campinas.

De acordo com informações contidas em um site da pesquisadora Claudia Cereser, no arquivo da Basílica do Carmo encontram-se documentos que comprovam a autenticidade dos ossos da santa, incluindo a Bula do Bispo Porfírio (20/06/1727) e a “Narrativa sobre a origem das relíquias de Santa Cristina”, extraída do Livro de Memória do Mosteiro São José das Carmelitas Descalças, em Roma.

 

 

Fotos Leandro Ferreira/Hora Campinas

Tags: Basílica do CarmoCampinaspadre Rogério Cancianpadroeira dos deprimidosrelicáriorelíquias de Santa CristinaSanta Cristina
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