“Quatro em cada dez pessoas no mundo não têm acesso nem mesmo a uma latrina de fossa simples; e quase duas em cada dez não têm fonte de água potável segura” – dados da ONU
Em reconhecimento ao papel fundamental da água na saúde e no bem-estar humanos, em 1992 a Assembleia Geral da ONU declarou o dia 22 de março de cada ano como o Dia Mundial da Água . Este evento anual já teve temas variados, como Mulheres e Água (1995), Água para o Século XXI (2000) e Saneamento (2008). O tema de 2005 foi Água para a Vida 2005-2015, dando início à Década da Água para a Vida . O tema “Qualidade da Água: Água Limpa para um Mundo Saudável”, tem sido constante com foco na qualidade da água, na saúde dos ecossistemas e no bem-estar humano. Em crises humanitárias como estamos vivenciando no momento, as necessidades de uma população são grandes e numerosas – incluindo assistência médica, abrigo, água potável e saneamento adequado, alimentação e segurança.
Desastres que ocorrem em locais já carentes de recursos e com serviços precários são mais devastadores do que seriam em outras circunstâncias. O catastrófico terremoto no Haiti bem como outros desastres, como o terremoto de 2008 na China, o furacão Katrina e o terremoto no norte do Paquistão em 2005, e o tsunami no Oceano Índico em 2004, também permanecem vivos na memória recente, apesar de terem ocorrido há muitos anos. Conflitos armados – e temos muitos no momento – são outra causa de ferimentos e mortes imediatas, resultando em sofrimento, doenças e mortalidade devido ao deslocamento de refugiados para áreas que muitas vezes não estão preparadas para fornecer serviços básicos.
Quando um grande número de pessoas é deslocado internamente, água e saneamento tornam-se questões imediatas e urgentes. À medida que um determinado deslocamento persiste, água potável e saneamento adequado tornam-se ainda mais importantes no controle da transmissão de doenças.
A lista de possíveis doenças epidêmicas que podem ocorrer em conjunto com desastres naturais e situações de conflito é longa, mas entre as mais comuns estão causas infecciosas de diarreia, leptospirose, hepatite, helmintíases intestinais, meningite e tracoma. Os esforços atuais para levar medicamentos que salvam vidas e outras intervenções aos países em desenvolvimento são importantes e, em muitos casos, impressionantes em seus resultados. Mas, para muitas das doenças que afetam bilhões de pessoas em todo o mundo, o sucesso desses esforços será muito menor sem algo bastante simples e pouco “empolgante”: água potável segura e boa higiene. Alguns números alarmantes:
⇒ As estimativas variam entre 1,8 milhão e 2,2 milhões de pessoas que morrem todos os anos devido a doenças diarreicas; 90% são crianças menores de 5 anos [OMS 2004; OMS/UNICEF 2005]. 88% das doenças diarreicas estão relacionadas ao abastecimento de água insegura, saneamento inadequado e higiene precária [OMS 2004].
⇒ Há 20 anos, 1,1 bilhão (17%) da população mundial não tinha acesso a fontes de água potável e 2,6 bilhões (42%) não tinham acesso a saneamento básico.
Além das doenças diarreicas, sistemas deficientes de água e saneamento contribuem para a morbidade e mortalidade global causadas por malária, tracoma, esquistossomose, helmintíases intestinais e muitas outras doenças.
Neste dia da água, é fundamental nos lembrarmos da necessidade do adequado e constante suprimento de água potável bem como do esgotamento sanitário.
Carmino Antônio De Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020. Secretário-executivo da secretaria extraordinária de ciência, pesquisa e desenvolvimento em saúde do governo do estado de São Paulo em 2022, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan, membro do Conselho Superior e vice-presidente da Fapesp, pesquisador responsável pelo CEPID CancerThera da Fapesp.











