Um palco totalmente voltado à celebração da arte e da cultura trans, a 2ª Mostra de Arte e Cultura Trans de Campinas ganha vida nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro – sexta, sábado e domingo -, na Sala dos Toninhos (Rua Francisco Teodoro, Vila Industrial – Anexo à Estação Cultura) para apresentar uma programação diversa que dá espaço, luz e voz à diferentes expressões artísticas produzidas por pessoas trans, travestis e não-binárias.
Com entrada gratuita, as atividades foram selecionadas para todas as idades e com recursos de acessibilidade, como Libras e/ou audiodescrição. Mais informações podem ser conferidas no Instagram da Mostra.
Após o sucesso de público da primeira edição, realizada em 2025, a Mostra retorna com uma programação ampliada e novidades importantes. Entre os destaques está a residência artística “O que é preciso para se fazer uma pérola?”, realizada pela primeira vez no evento. A residência reúne cinco artistas de diferentes linguagens para a criação de uma obra coletiva inédita, que será apresentada na abertura da Mostra.
Ao longo dos três dias, o público poderá acompanhar apresentações de teatro, circo, música, dança, literatura, artes visuais e audiovisual, além de exposições, discotecagem e da obra criada durante a residência artística.
A programação inclui ainda uma feira de expositores, com participação de artistas e produtores da região, oferecendo comida, bebida, artesanato, brechó e tatuagem; e uma ação da Secretaria Municipal de Saúde – através do Grupo de Trabalho em saúde da população trans -, junto ao ImPrep (Fiocruz) e ao Ambulatório Transcender, oferecendo orientação sobre serviços de saúde disponíveis, saúde sexual, funcionamento dos ambulatórios de gênero da região e atualização de cadastros do SUS.
Realizada por artistas e produtoras culturais da região, a Mostra Trans Campinas tem como objetivo promover visibilidade, fortalecer redes de criação e celebrar as expressões estéticas de artistas trans, travestis e não-binários, consolidando-se como um espaço de encontro, troca e fruição cultural.
Eva Maria, uma das diretoras de produção da Mostra Trans, ressalta a qualidade dos artistas que vão apresentar seus trabalhos nesta edição. “Estamos oferecendo, com este evento, a oportunidade de Campinas e região apreciarem uma cultura riquíssima feita por nós artistas trans. Aqui damos palco e voz para que estas pessoas tenham a oportunidade de mostrar suas potências”. Kara Catharina, também diretora de produção da Mostra, destaca os números da edição e afirma que ações como esta fortalecem ainda mais a comunidade. “No período de inscrições, recebemos 57 propostas artísticas e isso mostra o quanto somos grandes e plurais naquilo que fazemos. Agora, damos a oportunidade de toda a região conhecer estes trabalhos que foram selecionados com muito carinho”.
Confira os destaques da programação:
Residência artística
A maior novidade da 2ª edição da Mostra Trans está por conta da criação de uma residência artística que reunirá, entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, artistas selecionados de diferentes linguagens. O resultado destes encontros poderá ser visto pelo público na abertura da Mostra no dia 6, sexta-feira, com uma apresentação aberta do espetáculo ‘O que é preciso para se fazer uma pérola?’. Entre os artistas participantes estão Tonya Manzamussa (Ballroom, dança); Faffata Gianfratti (teatro); Kaui Mouts (circo); Char Velloso (música) e Gabrielly Fogaça (teatro, dança, ballroom). A direção está por conta de Ph Veríssima, responsável por conduzir, orientar, dirigir e descobrir este processo artístico junto aos selecionados.
Música
Toda a programação da Mostra será acompanhada por música de alta qualidade. Entre os artistas que se apresentam no palco do evento, estão DJ Cris Negrini; DJs Irmã Victória e Kara Catharina; DJ Majestade Babilônia e DJ Akin. Além dos sets preparados cuidadosamente para o evento, a programação também recebe os shows de Deusa Nagô e Gabrelú, que fará o encerramento da edição.
Literatura
Também há espaço para literatura na programação da Mostra Trans, que receberá a participação da escritora zênite serena. Em uma sessão de leitura, ela vai apresentar alguns dos textos que compõem o livro ‘correspondência atrasada’, ainda inédito. “Escrevemos porque queremos falar com quem não está mais aqui. Engana-se quem pensa que, na literatura, a distância seja algo além de inescapável”, relata a autora. Em ‘correspondência atrasada’, zênite serena se dirige à memória espectral que permanece no após. Articulando prosa e poesia, ela explora luto e construção, travessia e transição.
Teatro e circo
Para compor a cena teatral da programação, a Mostra recebe o monólogo ‘De peito nu, recusei-me à loucura’, do Coletivo Drama Cuier. Representado por Vênus Ravi, o espetáculo apresenta um estudo sobre a biografia de João W. Nery, primeiro homem trans no país a realizar a cirurgia de redesignação sexual, psicólogo e ativista pelos direitos LGBTQIAPN+.
Já para representar a arte circense, a artista Vulcânica Pocaropa apresenta o espetáculo ‘Tarântula Transita’: uma fábula sobre sonhos, onde quatro amigas passam por diversas adversidades e conflitos para chegar na tão sonhada ascensão que desejam. Para isso, ela leva ao público uma história contada através da comicidade, bambolê, malabares, mágica e manipulação de bonecos.
Audiovisual
Ao longo do fim de semana de programação, haverá a exibição de três curtas-metragens que versam sobre o universo trans: o primeiro, no sábado, é a videoperformance ‘Protótipo’, com direção de Ronna Freitas de Oliveira e Rafaela Correia, que narra o processo de recriar a si mesma na transição de gênero, de recriar o corpo a partir do próprio corpo, transformando-o em uma obra viva.
No domingo, a programação conta com as exibições de ‘O Dia Encantado dos Erês’ (direção de Coraci Ruiz e Julio Matos – Laboratório Cisco); e ‘Kabuki’ (direção de Tiago Minamisawa). O primeiro coloca como protagonista Suzy, mãe de santo e mulher trans que luta pelo acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ no Candomblé.
Já o segundo acompanha a busca de Kabuki por auto aceitação em um mundo violento. Inspirado em muitas histórias reais de genocídio das pessoas transgênero, o filme é uma animação que tem conquistado espaço e destaque em diversos festivais, como a última edição da Mostra Curta de Campinas.
Artes visuais
Para compor o cenário das artes visuais da 2ª Mostra Trans, a programação recebe duas obras inéditas: a primeira, intitulada ‘NTE Transnógrafica’, é uma instalação feita a partir de obras do artista Nicolau Andreass. “Um culto ao ser que parece ter acabado de nascer e, ao mesmo tempo, sempre ter existido”, relata o artista.
A segunda obra, ‘devir-pintura’, é uma performance em pintura de longa duração realizada por Vila do Valle Canova. O processo de execução será iniciado no sábado de programação, e deve durar até o fim da Mostra no dia seguinte.
Dança
No território da dança, a Mostra abre espaço para a apresentação de ‘Danças para navegar nos sonhos’, interpretada por Cova França e com trilha sonora ao vivo da Iara Harumi. Nesta performance de improvisação em dança, o público entrega cartas sonhadoras à bordo de um barco que navegará pelas ondas de cada sonho através da dança – um convite para suspender o tempo e encontrar com a potência de vida que movimenta o sonhar.
A 2ª Mostra Trans Campinas é um projeto contemplado pelo Edital nº 10/2024 – Edital de Seleção para Financiamento de Projetos Culturais, do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC 2024), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas.











