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Home Campinas - 250 anos

Você sabia? Excêntrica e grandiosa, danceteria Fábrica de Areia parou Campinas há 40 anos

Inauguração do local atraiu multidão de campineiros em noite com show do Ultraje a Rigor, no dia 26 de julho de 1984

Gustavo Magnusson Por Gustavo Magnusson
17 de julho de 2024
em Campinas - 250 anos
Tempo de leitura: 12 mins
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Você sabia? Excêntrica e grandiosa, danceteria Fábrica de Areia parou Campinas há 40 anos

A Fábrica de Areia funcionou apenas por um ano em Campinas, mas deixou muitas lembranças. Fotos: Reprodução

“Você é nosso convidado para curtir uma noitada na maior danceteria do país”. Foi dessa forma que milhares de bilhetes distribuídos em Campinas em pleno inverno de 1984 anunciaram a então mais nova atração da cidade: a Fábrica de Areia. Inaugurada há exatamente 40 anos, numa gelada noite de quinta-feira, dia 26 de julho de 1984, a antiga e colossal casa noturna funcionou durante apenas um ano, até meados de 1985, mas marcou época em Campinas, atraindo multidões e ditando tendências.

“Uma fábrica de fios para tecido, do empresário paulistano Matarazzo, abandonada há três anos, estava quietinha ali na Rua Sete de Setembro, na Vila Industrial. Então, um ‘louco’ e já veterano especialista em casas noturnas de São Paulo resolve fazer do velho prédio, com uma área de 2.400 metros quadrados, a maior e mais completa danceteria do país. Em um prazo recorde de 26 dias, o proprietário José Roberto Martins conseguiu armar toda a parafernália, juntando em uma única casa os ingredientes das cinco danceterias de São Paulo”, noticiou o jornal Diário do Povo, em sua edição de sábado, 28 de julho de 1984, dois dias após a inauguração da Fábrica de Areia.

“Minha relação de amizade com o José Roberto Silva, um dos proprietários da Fábrica de Areia, vinha desde a minha infância e adolescência na cidade de Aguaí. Fomos criados muito perto um do outro e desde criança ele já demonstrava sua vocação para investir em entretenimento. Vivia à frente de sua época”, descreve Paulo José Pacheco, antigo frequentador da passageira porém marcante danceteria campineira.

Desde os tempos em que morava em Aguaí, sua cidade natal, a cerca de 100 km de Campinas, no interior paulista, José Roberto Martins Silva já demonstrava forte tendência para o ramo do entretenimento musical. “Em Aguaí, ele organizou bailes famosos, levando grandes orquestras dos anos 60 para abrilhantá-los, como a orquestra de Élcio Álvarez e coral, que foi um grande marco para aquela pequena cidade interiorana. Eu ajudei na organização e na decoração. Quando vim para Campinas, em 1968, aos 18 anos, o Zé continuou em Aguaí, até que um belo dia eu soube da inauguração da Fábrica de Areia e me surpreendi ao encontrá-lo. Nos abraçamos e fiquei sabendo que ele era um dos proprietários”, conta Paulo José Pacheco, amigo de infância de um dos homens por trás da Fábrica de Areia.

“Quando a danceteria fechou as portas, ele voltou para Aguaí e continuou a organizar bailes e festas na cidade. Elegeu-se vereador e assumiu em ata que era homossexual. Foi um balde de água fria na cabeça das pessoas daquela cidade, mas teve três mandatos consecutivos (1989 a 2000). Algum tempo depois, soube que ele estava muito mal de saúde. Creio que sua doença o impediu de exercer novos mandatos, pois foi se tratar em Ribeirão Preto, até que veio a falecer. Morreu precocemente”, lamenta Paulo José Pacheco, sobre o amigo conterrâneo de longa data.

Para colocar de pé a Fábrica de Areia, no meio do ano de 1984, José Roberto Martins Silva juntou forças com um sujeito campineiro de perfil semelhante: o sonoplasta, locutor de rádio e produtor de eventos Beto Franchi, que já discotecava em casas noturnas e promovia shows em Campinas, tendo sido um dos responsáveis por iniciar a tradição de espetáculos do Ginásio do Guarani, no início dos anos 80.

“Quando eu estava pintando o chão, um rapaz que trabalhava com a gente virou para mim e me disse para ir até a janela. Quando eu olhei lá do alto, era só gente e carro, gente e carro. Não se andava na Rua Sete de Setembro, nem mesmo na rua de baixo, até a Avenida João Jorge”, relata Beto Franchi, sobre a imagem que nunca mais saiu de sua cabeça, referente ao tumulto do lado de fora na noite de inauguração da Fábrica de Areia.

“A gente adiou três vezes a inauguração da casa, pois sempre faltava alguma coisa, mas finalmente marcamos a data e fizemos a publicidade na rua. Passei a madrugada anterior inteira e mais o dia todo lá dentro. Eram oito horas da noite e eu ainda estava pintando o taco de madeira, tanto que muita gente lembra que saiu com o pé vermelho naquele dia, pois a tinta ainda estava fresca no chão”, conta Beto Franchi, sobre a força-tarefa no dia da inauguração da Fábrica de Areia.

A Fábrica de Areia ocupava a grande e antiga construção número 225 (atual 189) da Rua Sete de Setembro, travessa da Avenida João Jorge. Até 1980, funcionava no prédio uma extensão da sede da Associação de Educação do Homem de Amanhã (AEDHA). Em 1994, o local passaria a abrigar o parque gráfico do jornal Diário do Povo e, a partir de 1999, a redação da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), grupo que edita o jornal Correio Popular. Em 2010, a enorme chaminé da antiga fábrica foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc).

Beto Franchi, um dos homens por trás da Fábrica de Areia. Foto: Reprodução

Em 1989, depois de deixar sua marca na noite campineira como disc jockey (DJ) e produtor de shows, com maior destaque na Fábrica de Areia, Beto Franchi deixou o Brasil e viveu 25 anos em Portugal, sempre ligado ao universo do show business, ramo em que atua até os dias atuais, em Campinas, sua terra natal.

A noite de inauguração

“Os calmos vizinhos da ex-fábrica abandonada não devem ter acreditado – no dia da inauguração, ocorrida nesta quinta-feira, depois de onze mil convites distribuídos por Campinas, cerca de dez mil pessoas trocaram cotoveladas à procura de um lugarzinho na danceteria. A sensação, para quem chegava, era como a do filme ‘Apocalypse Now’, retrato fiel da guerra do Vietnã, em que Marlon Brando finalizava dizendo: ‘Horror, horror, horror’”, comparou o jornal Diário do Povo, em relação ao alvoroço da noite de abertura da Fábrica de Areia.

“A aventura da quinta-feira começaria bem antes do show de abertura, marcado para as dez horas com os roqueiros do Ultraje a Rigor. Para se chegar à danceteria de carro, por volta das onze horas, era preciso ter muita paciência, tamanho era o congestionamento já a quatro quadras daquilo que seria uma festa. Como não havia muita paciência naquela moçada, que já não se sentiria mais menosprezada diante dos dançarinos de São Paulo, formou-se uma volumosa procissão de andarilhos em direção ao grande baile (‘Baile não, protestariam, baile não!’)”, descreveu o Diário.

“Próximo à danceteria, as primeiras cotoveladas. A multidão não queria saber de delongas e já se escutavam alguns desafios do tipo: ‘Eu entro nesta porcaria de qualquer jeito’. Na porta principal, para cujo acesso só era possível por duas escadas de cimento, que levavam a um patamar anterior à porta de ferro, ‘leões de chácara’ lutavam com os sufocados convidados. Volta e meia, a porta se erguia e, ‘vlupt’, entrava mais uma leva. Na entrada (poucos davam os convites), mocinhas assustadas distribuíam cigarros com pouca nicotina e alcatrão”, detalhou o Diário do Povo. Tratava-se apenas do início de “uma noite de aventuras na nova danceteria”, linha-fina da matéria cujo título dizia “Dez mil disputam lugar na Fábrica de Areia”.

“Quem esperava que entrando na danceteria livraria do sufoco de fora enganou-se. O local, definido pelo proprietário como uma mistura de antigo baile de clube com ‘discothéque‘, estava lotado. Ainda as cotoveladas. Da desconfiança, veio a certeza de que os organizadores tinham exagerado nos convites”, atestou o jornal, em referência ao impressionante alvoroço.

De acordo com a matéria do Diário do Povo, havia gente de todos os tipos e tribos na noite de inauguração da Fábrica de Areia: “Punks, antigos hippies, loucos, caretas e, principalmente, new waves – esse novo tipo urbano, ainda não claramente identificado, que usa óculos escuros à noite, cabelos empastados (antigamente utilizava-se Gumex), roupas insólitas e outros apetrechos”.

“O primeiro destaque da Fábrica de Areia ficava para um elevado de ferro, sobre o qual alguns ‘new waves’ cortavam os cabelos daqueles que se apresentavam. Depois, uma pessoa lembraria de uma amiga de longos e bonitos cabelos que, após uma bebedeira na danceteria Radar Tantã, em São Paulo, onde também se corta os cabelos do frequentadores acordou desesperada com a vida – ‘O que fizeram de mim?!’”, destacou o Diário do Povo.

“Percorrer a Fábrica não era uma tarefa fácil. As 24 caixas duplas de som faziam com que algumas pessoas tentassem dançar. O Ultraje a Rigor não entrava em cena, e os presentes tentavam encontrar os atrativos anunciados para a casa: leitura de sorte, tatuagem, fliperama, pipoca moderna (com orégano, páprica, etc.), cachorro quente, galeria de arte e surpresa, uma venda de frutas e café”, listou o Diário.

“Mas o que os transeuntes mais perguntavam era sobre os banheiros, que não tinham placas de indicação se para homem ou mulher, gerando certas confusões. O desespero mostrou sinal em um xixi feito debaixo da arquibancada”, flagrou a reportagem do Diário. “Perto de uma hora da manhã, com a danceteria mais vazia, começaria o show do Ultraje a Rigor. Já havia espaço para se dançar”, relatou a matéria.

“Estava chegando ao fim a aventura da inauguração da maior danceteria do país. Parece que a cidade não queria perder a chance. A partir de então, quem quiser frequentar a Fábrica de Areia terá que pagar Cr$ 3.000,00 (cruzeiros). E o proprietário, aliviado, garante que agora tudo será mais calmo”, arrematou a reportagem do Diário do Povo.

“Não poderia ter sido mais simbólica a presença do Ultraje para fazer as honras. Era uma época de ampla discussão política, com o movimento ‘Diretas Já’ em curso. Entoar letras como ‘Inútil’ e ‘Rebelde Sem Causa’ significava desejos de mudanças”, aponta o jornalista e professor Jeverson Barbieri, antigo frequentador da Fábrica de Areia. “Eu me lembro que estávamos colados ao palco e, no intervalo do show, apenas o Roger foi para os camarins. Tivemos a oportunidade de ficar conversando com Carlinhos, Maurício e Leôspa. O som rolou até altas horas”, relembra Barbieri.

A noite de abertura da Fábrica de Areia foi tão marcante que o vocalista do Ultraje a Rigor mantém até hoje recordações vivas na memória. “Era um lugar muito grande e ficamos contentes de inaugurá-lo. Havia poucas opções de danceterias naquela época, então tudo ainda era novidade. Eu me lembro perfeitamente da decoração e dos sacos de areia cercando a casa”, revive Roger Moreira, que realizou mais dois shows na Fábrica de Areia naquele primeiro fim de semana da danceteria.

Ouça abaixo depoimento de Roger Moreira, vocalista do Ultraje a Rigor, sobre a noite de inauguração da Fábrica de Areia, no dia 26 de julho de 1984:

https://horacampinas.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Audio-do-WhatsApp-de-2024-07-12-as-15.46.06_b3c585ec.mp3

Lembranças

“Tenho lembranças muito marcantes, afetivas e gostosas dos momentos que vivenciei na extinta Fábrica de Areia. Lembro-me de que eu esperava ansioso a chegada do final de semana para poder me divertir naquela que foi uma das melhores danceterias da época aqui em Campinas. Teve uma curta duração, mas brilhou como nenhuma outra. Foi point não apenas dos jovens campineiros da época, mas de muitas pessoas que vinham de fora, das cidades próximas, até mesmo de São Paulo e Rio de Janeiro”, aponta Paulo José Pacheco.

“Eu não era um frequentador assíduo da Fábrica de Areia, mesmo porque eu tinha terminado de fazer faculdade, tinha que trabalhar e ganhava pouco, então tinha que sobrar grana para pagar o aluguel da quitinete onde morava e a prestação do meu primeiro fusquinha, enfim, eram tempos apertados. Mas frequentei, sim, várias vezes aquele local mágico. Não fui no dia da inauguração, mas acompanhei pela imprensa e ouvi relatos de amigos que lá estiveram e se encantaram”, conta Pacheco.

“As principais características dessa danceteria eram os vários ambientes que ela possuía, separados por sacos de areia empilhados, dando um ar descontraído e ao mesmo tempo chic. Havia várias pistas de danças, restaurante, bar, lounge, local para conversar e até mesmo um salão de beleza montado, suspenso por cabos de aço sobre um dos ambientes. O som era incrível, a iluminação perfeita, a frequência das melhores, num ambiente eclético”, define Paulo Pacheco.

“Jovens abastados do Cambuí e da Nova Campinas, pessoas mais simples do centro da cidade, gays, héteros, casais de namorados, todos se divertiam livremente, cada um respeitando o seu espaço. A representatividade daquele local para Campinas, na época, foi muito marcante, devendo ser lembrado que vivíamos uma época de ditadura militar, em que tudo era devidamente censurado, mas que, dentro daquele local, imperava a liberdade de expressão e de gestos. É claro que não havia essa permissividade de hoje, não rolavam drogas nem sexo, escancaradamente como hoje, nesses ambientes. Tudo era mais contido, porém, não menos excitante”, descreve Pacheco.

Além do Ultraje a Rigor, vários outros artistas importantes do cenário do rock nacional passaram pela Fábrica de Areia, como Lulu Santos e Marina Lima, além de bandas expressivas como Barão Vermelho, Titãs, Ira!, Kid Abelha, Gang 90, Roupa Nova, Rádio Táxi e A Cor do Som.

“Assisti alguns shows lá, porém o que mais me marcou foi o da Marina Lima, que estava no auge da fama, com sua música ‘Fullgás’. É clara na minha lembrança a chegada dela numa limusine, descendo do carro com uma taça de champagne e adentrando a Fábrica. O show foi incrível, ela estava muito louca e levou todos ao delírio”, recorda-se Paulo José Pacheco.

“Lembro que o José Roberto Silva ficou angustiado, pois havia reservado uma suíte no Hotel Vila Rica, o mais chique da época, mas Marina se recusou a ficar hospedada em Campinas. Ela preferiu vir direto de São Paulo, dar o show e voltar para a capital”, conta Pacheco.

Inovadora e revolucionária, a Fábrica de Areia chegou a promover concursos de dança, desfiles de moda – um deles inclusive com a participação da famosa modelo transexual Roberta Close – e festivais de rock com competição entre bandas locais independentes.

A proposta de disputa foi estimulante para jovens com aspirações roqueiras, como o músico campineiro Luiz Guadagnini, à época um garoto de 22 anos, que jamais havia subido num palco antes. “Isso foi em 1984, estávamos começando uma banda e tínhamos só uma música autoral. Corremos para colocar uma letra e arrumar um vocal porque naquela época era uma chance ímpar de subir num palco com boa estrutura de som. Até o nome da banda foi escolhido às pressas. Mandamos ‘Pentagrama Negro’ na hora da inscrição. O melhor da noite foi o encerramento com a banda IRA!, que pouca gente conhecia por aqui”, revela Guadagnini.

“Uma pena um local como a Fábrica de Areia ter durado um período tão pequeno. Os ambientes dos mais variados, de salão de jogos a barbearia, eram divididos por paredes de sacos de areia empilhados. Todas as vezes em que estive lá estava sempre lotado”, lembra Guadagnini.

Foto: Reprodução

Esse festival produzido pela Fábrica de Areia contou com a participação de mais de 15 bandas locais e quem levou o troféu de melhor vocalista foi o cantor Jorge Bellini, da banda Pulsar, cujo repertório consistia em covers de Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, mas também canções autorais.

“Eram umas 18 bandas e cada uma tinha que apresentar uma música, podia ser autoral ou cover. Nós apresentamos uma canção própria e depois tocamos mais algumas, enquanto os jurados se reuniam para dar o veredito final de quem seriam os vencedores dos prêmios”, lembra Jorge Bellini.

Já o prêmio de melhor guitarrista ficou com o músico Alexis Bittencourt, da banda Metafixa, que à época também contava com o vocalista Joãozinho, o baixista Zé Alexandre e o baterista Rodrigo Pinto Gimenez, atualmente um renomado cirurgião plástico em Campinas.

“Eu era muito novo e tinha apenas dois anos de guitarra, então fiquei muito orgulhoso. A Fábrica de Areia foi um dos primeiros lugares que toquei e esse troféu foi um dos primeiros que ganhei. Isso me animou bastante, apesar de ser um festival caseiro e incipiente”, aponta Alexis Bittencourt, que naquela noite reproduziu os acordes de “YYZ”, faixa instrumental do álbum “Moving Pictures” (1981), do Rush, o mesmo dos clássicos “Tom Sawyer” e “Limelight”.

Outras bandas locais como Os Cafajets, Os Pólvoras e Rollover e seus Bethovens também tiveram a experiência de tocar no palco da Fábrica de Areia.

O cantor Jorge Bellini, com o troféu de melhor vocalista conquistado no festival de rock na Fábrica de Areia, em 1984. Foto: Gustavo Magnusson/Hora Campinas

Barão em atrito

Outro grande tumulto na Fábrica de Areia ocorreu numa noite com show do Barão Vermelho, no primeiro semestre de 1985. Mas para azar do público, a banda estava em rota de colisão naquele momento, após a apoteótica apresentação no Rock in Rio, em janeiro, e pouco tempo antes da saída de Cazuza do grupo, em julho.

O show do Barão na Fábrica atrasou bastante, gerou irritação do público e ainda terminou antes da hora por birra do cantor, que estava enlouquecido e descontrolado. “A banda havia mostrado três canções quando chegou a hora de ‘Não Amo Ninguém’. O grupo tocou a introdução, mas Cazuza, bastante alterado, não entrou cantando. Mais uma deixa instrumental e o cantor permaneceu calado, para, instantes depois, deixar o palco”, conta a biografia da banda, “Barão Vermelho – Por Que a Gente é Assim?” (2007).

Um ano depois da frustrante apresentação na Fábrica de Areia, Cazuza retornou a Campinas em março de 1986, trazendo a turnê de seu primeiro e bem-sucedido disco solo “Exagerado”, lançado em novembro de 1985. Ali veio a redenção do cantor diante do público campineiro, numa noite inesquecível na danceteria Strathosfera, localizada na esquina da Rua Paula Bueno com a Rua Osvaldo Cruz, no bairro Taquaral. Inaugurada em meados de 1985, a Strathosfera herdava o espaço da antiga discoteca Vó Sucena e acrescentava ingredientes da Fábrica de Areia, que havia acabado de fechar as portas, mas deixou um legado inestimável e memórias que ecoam até hoje.

Tags: aniversáriobandasbarão vermelhoCampinas 250 anoscasa noturnafábrica de areiaHistóriakid abelhaPaulo José Pachecotitãsultraje
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