Tripulantes comentaram, logo após a decolagem, sobre falhas no sistema responsável por eliminar o gelo nas asas do avião da VoePass que caiu em Vinhedo no dia 9 de agosto, matando 62 pessoas. A informação foi confirmada pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), durante a apresentação do relatório preliminar a respeito do acidente com a aeronave, nesta sexta-feira (6).
“O que temos até o momento é que houve uma fala extraída por meio do cockpit que um dos tripulantes indicava que havia uma falha no sistema de De-Icing (antigelo). Isso, porém, não foi confirmado do sistema de dados (FDR)”, reafirmou o Brigadeiro do Ar Marcelo Moreno, chefe da Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.
A declaração reforça a teoria de que problemas no sistema antigelo pode ter sido a causa da queda da aeronave. O Cenipa destacou que são várias as linhas investigativas, mas durante a apresentação desta sexta-feira, o sistema antigelo recebeu bastante atenção nas explicações.
Outra informação revelada foi a de que, além do acendimento do alarme de gelo três vezes durante o voo, o copiloto comentou que havia “bastante gelo” antes do acidente, segundo a gravação da conversa no cockpit do avião.
O relatório preliminar também confirmou que a tripulação foi alertada da condição climática para forte formação de gelo e era treinada para essas condições. E destacou que os sistemas antigelo foram acionados diversas vezes durante o voo.
A aeronave saiu de Cascavel às 11h58 de sexta-feira (9/8) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. O avião caiu em Vinhedo às 13h20.
Até o momento, o Cenipa divulgou apenas que a ocorrência foi qualificada como perda de controle em voo.
O órgão promete concluir a investigação “no menor prazo possível”, dependendo sempre da complexidade da ocorrência e, ainda, “da necessidade de descobrir os possíveis fatores contribuintes”, sem estabelecer previsões.
O que o Cenipa confirmou:
- Todos os registros de manutenção da aeronave estavam atualizados
- A aeronave era certificada para voos em condição de gelo
- Havia previsão de gelo severo na rota do voo
- Pilotos tinham treinamento para voos em condição de gelo
- Havia um item inoperante no motor esquerdo chamado Pack, responsável pela pressurização e climatização do avião, mas a inoperância não impossibilitava o voo
- Em nenhum momento os pilotos declaram situação de emergência












