Quando jovens, nos preparamos para a vida adulta, mas nem sempre planejamos o envelhecimento. Como gostaríamos de viver os anos de aposentadoria? Um grupo de 46 pessoas, na cidade de Campinas, interior de São Paulo, já decidiu: quer viver entre amigos, e vai construir a Vila ConViver, primeira cohousing sênior do Brasil.
A Vila ConViver reúne professores e funcionários aposentados da Unicamp, onde a ideia foi gestada, mas não está restrita a este público. Ela é aberta aos interessados que buscam uma vida em comunidade, sem renunciar à individualidade, começando pela própria casa.
Organizados em Associação, seus futuros moradores definiram um modelo próprio de cohousing, chamada também de “comunidade residencial intencional”. Ela se destina a pessoas de 50 anos ou mais, com participação efetiva em todas as etapas do processo de construção e gerenciamento.
Com estatuto próprio e formalizada juridicamente, a Associação adquiriu um terreno de 24mil m² onde serão construídas 34 casas de dois e três dormitórios. A maior parte do terreno se destina ao uso comum, estimulando o convívio social, com equipamentos compartilhados como cozinha, lavanderia, biblioteca, sala multiuso e outros.
Entre os muitos estudos e pesquisas do grupo, estão os fundamentos do arquiteto americano Charles Durrett, que estudou as cohousing da Dinamarca. Ele afirma que os idosos estão cada vez mais motivados a criarem um ambiente para eles, onde conhecem seus vizinhos, se preocupam uns com os outros dando e recebendo suporte entre si.
Em seus estudos Durrett constatou que “pessoas com limitações podem viver dez anos a mais e de maneira independente, do que se morassem em outros ambientes”.
Longevidade
O fenômeno da longevidade aponta para um ganho de vida em média de 30 anos, após a aposentadoria, com chances do indivíduo se manter saudável, ativo e produtivo.
Estudos comprovam que o isolamento social pode levar à depressão em idosos, além do agravamento de outras doenças relacionadas ao envelhecimento.
Por outro lado, experiências de vida em comunidade, que já existem há mais de meio século, demonstram que idosos vivem mais e com boa saúde.
Cohousings
Foi na Dinamarca, no final dos anos 60, que surgiram as primeiras cohousings, inicialmente multigeracionais e mais tarde, algumas exclusivamente para idosos. Elas foram objetos de estudo no país, onde se constatou um acréscimo de, pelo menos, oito anos de vida para seus moradores, em relação à média da população local. Além disso iam menos ao médico, tomavam menos medicamentos e havia baixíssima incidência de demências senis e Alzheimer.
A experiência dinamarquesa logo conquistou a Europa, além de Estados Unidos, Canadá e outros. Agora é a vez da América Latina, onde países como o Brasil, que há muito deixou de ter uma população majoritariamente jovem, buscar alternativas de uma vida saudável para seus idosos.
Segundo dados do IBGE, mais de 15% da população brasileira é composta por pessoas de 60 anos ou mais. Esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Para saber mais sobre a Vila ConViver acesse o site: http://www.vilaconviver.org.br











