Uma nova moradora vem causando polêmica em uma pacata cidade do Circuito das Águas paulista. Após cumprir pena por um crime de grande repercussão nacional, Suzane Louise Magani Muniz (ex-von Richthofen) teria decidido recomeçar a vida em Águas de Lindóia, município com pouco mais de 18 mil habitantes, frequentado por turistas que buscam as fontes termais e o clima agradável.
Desde então, Suzane tem sido flagrada em atividades cotidianas, como se banhar em cachoeiras na Serra da Mantiqueira, ir a salões de beleza e fazer compras na feira local. Sua presença, no entanto, tem gerado reações mistas entre os moradores, e muitos vão às redes sociais dar opiniões.
De acordo com o blog True Crime, do jornal Globo, esse já é o terceiro endereço de Suzane desde janeiro de 2023, quando ela deixou a Penitenciária de Tremembé para cumprir o resto da pena em liberdade.
O motivo da mudança ocorreu após a aprovação do marido de Suzane, o médico Felipe Zecchini Muniz, em um concurso público. Agora, ele trabalha no Hospital São Camilo, de Águas de Lindóia.
“Muita gente veio para cá buscando tranquilidade, e agora nos deparamos com essa situação. É estranho dividir os mesmos espaços com alguém que tem um histórico tão polêmico”, escreveu uma moradora nas redes sociais.
Esta não é a primeira vez que Suzane muda de cidade desde que obteve progressão de regime. Antes de Águas de Lindóia, ela morou em Angatuba, Itapetininga e Bragança Paulista (onde cursou Direito na Universidade São Francisco), mas nunca permaneceu por muito tempo.
Agora, a incerteza paira sobre se sua estadia na cidade será definitiva ou apenas mais uma parada em sua tentativa de reconstrução. “Águas de Lindóia recebe uma ilustre psicopata para ser sua nova moradora”, lamentou uma pessoa nos stories do Instagram.
Enquanto isso, o tema continua a ser assunto frequente nas rodas de conversa e redes sociais, evidenciando o dilema entre o direito à ressocialização e os sentimentos da comunidade local.
ASSASSINATO E PENAS
Suzane von Richthofen foi condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002.
Sua sentença foi reduzida para 34 anos e quatro meses, com término previsto em 25 de fevereiro de 2038. Além de Suzane, Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos foram condenados.
Cristian segue preso em Tremembé, conhecido como “presídio dos famosos”, em São Paulo. Daniel cumpre o restante da pena em regime aberto.
O CASO
Suzane e Daniel conheceram-se em agosto de 1999 e começaram um relacionamento pouco tempo depois. Ambos tornaram-se muito próximos, mas o namoro não tinha o apoio das famílias, principalmente dos Richthofen, que em dado momento proibiram o relacionamento.
Suzane, Daniel e Cristian então criaram um plano para simular um latrocínio e assassinar o casal Richthofen, assim os três poderiam dividir a herança de Suzane.
Conforme o processo, no dia 31 de outubro de 2002, Suzane abriu a porta da mansão da família no Brooklin, em São Paulo, para que os irmãos Cravinhos pudessem acessar a residência. Depois disso eles foram para o segundo andar do imóvel e mataram Manfred e Marísia com marretadas na cabeça.
A herança dos von Richthofen está avaliada em mais de 11 milhões de reais. Quando Suzane completou 18 anos, em novembro de 2001, seu pai teria aberto uma conta de 30 milhões de euros na Suíça em seu nome. O dinheiro seria, provavelmente, fruto de corrupção da Dersa, empresa em que Manfred era o engenheiro responsável pela construção do trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas, de orçamento bilionário. Como a conta estava em seu nome, nada impediria que Suzane tivesse acesso ao dinheiro após cumprir sua pena.
Em 2021, dois filmes baseados nos autos do processo foram lançados: A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais, ambos dirigidos por Maurício Eça. As histórias são baseadas nos depoimentos dos acusados durante o julgamento, que apresentaram as versões conflitantes de Daniel Cravinhos e de Suzane von Richthofen, respectivamente, cada um acusando o outro de ser o mentor do crime. Nas obras, Suzane é interpretada por Carla Diaz e Daniel por Leonardo Bittencourt.







