Uma discussão entre arbitragem, capitães e diretores dos dois clubes impediu que a partida entre Ponte Preta e União Bandeirante-PR fosse realizada naquele 14 de outubro de 1990 no Moisés Lucarelli. As duas equipes entraram em campo de branco e o regulamento determinava que os visitantes trocassem a cor do uniforme, mas não houve acordo. Assim, a partida teve de ser adiada. No dia 25 do mesmo mês, enfim, o jogo aconteceu e, com a Macaca inteira de preto, o duelo terminou empatado por 1 a 1.
A história, que lembra polêmicas típicas do futebol amador, é uma das curiosidades da única participação da Ponte Preta na Série C do Campeonato Brasileiro, na ocasião chamada de Terceira Divisão.
Hoje, 35 anos depois, a Macaca retorna à “terceirona” em um contexto muito diferente daquele período. Atualmente, a organização do futebol do país deixa muito a desejar, mas é incomparavelmente melhor à verificada na época.

A polêmica gerada pelas cores do uniforme no Majestoso era apenas uma gota num oceano de confusão. Tanto que a Ponte Preta terminou a competição em 18º lugar entre 30 participantes e mesmo assim disputou a Segunda Divisão no ano seguinte. É que a Macaca e outros vários clubes foram beneficiados em razão de uma determinação da CBF, que decidiu aumentar o número de participantes na “segundona” de 1991 de 24 para 64 e não realizar a Terceira Divisão.
Em 1995, a Ponte Preta foi rebaixada e também disputaria a Série C no ano seguinte, mas novamente conseguiu ser “premiada” mediante os estranhos critérios dos dirigentes. Como o América-SP desistiu de jogar a Série B por problemas financeiros, a vaga ficou com a Macaca.
História
A única participação da Ponte na Série C foi relâmpago, já que a campanha se resumiu a quatro partidas entre setembro e outubro de 1990, contra América-SP, Paraná Clube, União Bandeirante-PR e Caxias-RS, todos inseridos no Grupo F da primeira fase. Com uma vitória, dois empates e uma derrota, a Macaca ficou na terceira colocação da chave com 4 pontos. Assim, foi eliminada logo na etapa inicial da competição, que ainda teve segunda fase, semifinal e final.
O campeão foi o Atlético-GO. No grupo da Ponte, a equipe de melhor desempenho e que terminou o campeonato em quarto lugar foi o Paraná, clube formado da fusão entre Colorado e Pinheiros e que na ocasião estreava em torneio nacional.
Confira os jogos da Ponte Preta na Terceira Divisão de 1990:
30/set – América-SP 0x1 Ponte Preta
21/out – Caxias 2×1 Ponte Preta
25/out – Ponte Preta 1×1 União Bandeirante
28/out – Ponte Preta 0x0 Paraná
João Brigatti, atual coordenador de futebol, era o goleiro da equipe alvinegra. O time-base, comandado pelo técnico Luiz Carlos Ferreira, tinha Brigatti; Roberto Teixeira, Júnior, Tuca e Luizinho; Israel, Humberto e Carlos Alexandre; Wilson, Monga e Ramon.

Símbolo da raça pontepretana na época, Monga conta que não se lembra especificamente do torneio, mas tem recordações genéricas sobre o período. “Nossas viagens eram sempre de ônibus e em alguns gramados era muito difícil de jogar”, conta ele, que no ano anterior, em 1989, imprimiu seu nome na história da Macaca.
O acesso à elite do Campeonato Paulista teve a marca do futebol sem técnica, mas voluntarioso do atacante, que sabia representar o torcedor dentro de campo. E se algumas situações fogem de sua memória, outras estão bem guardadas.

“Cheguei na Ponte no dia 2 de novembro de 1988 e meu último contrato como jogador do clube foi em 1996. Depois, trabalhei na base e no profissional. No total, foram 18 anos de Ponte Preta”, conta o ex-jogador, hoje com 60 anos e funcionário da secretaria de Esportes e Lazer da prefeitura de Campinas.
Sobre as projeções da Ponte na Série C deste ano, Monga acredita no acesso. E como nunca deixou de fazer desde que chegou em Campinas, vindo do Palmeiras de São João da Boavista, estará na torcida.










