Há alguns dias Cristiane Laurito foi assassinada pelo marido, que também matou o filho deles recém-nascido, e em seguida se suicidou. Cristiane era servidora de carreira na Câmara Municipal de Campinas aqui na Avenida da Saudade, no bairro Ponte Preta.
O crime bárbaro ocorreu no condomínio onde viviam em Limeira. O esposo feminicida era procurador jurídico na prefeitura de Limeira e estava afastado para tratamento contra a depressão. Este homem era colecionador de armas e politicamente era conservador. Essas pessoas eram estudadas, tinham padrão elevado de vida, um jovem casal com um filho que acabara de nascer. Este homem tradicional estava completamente adoecido e usou da forma extrema da violência para aniquilar com a existência de sua família.
Esta jovem mulher não pediu pra morrer. Provavelmente estava feliz e realizada com a maternidade.
Trabalhava num local de prestígio na cidade de Campinas onde circulam pessoas do poder político local. De forma chocante, nem uma funcionária do poder legislativo de uma metrópole desenvolvida como Campinas foi protegida pelo Estado, pela política, porque nada se faz de concreto e eficiente para vencer esse mal social que é a violência de gênero que advém da cultura patriarcal e machista.
Este homem insano não conseguiu se curar e proteger sua família. Em seu completo fracasso escolheu destruí-la.
O machismo mata mulheres valentes todos os dias no Brasil, em qualquer dos “mundos” a que ela pertença. O machismo tem matado crianças inocentes ou as deixadas órfãs. O tamanho dessa violência de gênero não há instrumento com a qual se possa medir, porque sobre esse fenômeno social não houve nenhum sinal de evolução até o tempo presente.
Choremos por Cristiane, trabalhadora da Câmara Municipal de Campinas, vítima de feminicídio.
Na história local, a mãe do maestro Carlos Gomes, dona Fabiana, foi assassinada na rua, no século XIX, e o crime foi completamente abafado e esquecido. Nos anos 70 em Campinas, o pai da atriz Maitê Proença matou sua mãe por ciúmes. Anos depois, depois de cumprir pena, ele se suicidou. Ele era promotor de justiça.
Em Campinas, no réveillon de 2017 ocorreu o maior feminicídio do Brasil, quando Sidnei invadiu a casa da família da ex-mulher, próximo ao Shopping Unimart e promoveu uma chacina, matando onze pessoas, na maioria mulheres, incluindo a mãe de seu filho, seu próprio filho, suicidando-se em seguida.
Ser mulher no Brasil é correr riscos constantes de abusos e violências que ameaçam a própria vida, crimes que muitas vezes ocorrem dentro de casa, lugar onde deveria sentir-se protegida.
É preciso tirar dos homens deste país o “direito” de matar mulheres, seja porque se consideram seus donos, seja porque sentem um ódio misógino que os fazem roubar sua luz. Basta!
Eliana Nunes da Silva, pedagoga, supervisora educacional, é doutora em Educação pela Unicamp.







