Uma ação popular foi apresentada à Justiça nesta quarta (2) pedindo a remoção das grades no entorno do Centro de Convivência, no Cambuí. A peça jurídica menciona uma série de “ilegalidades” na decisão da Prefeitura de Campinas de cercar o monumento.
O CCC é tombado pelo Conselho de Desenvolvimento do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc) em nível municipal. Já na esfera estadual, tem o selo de patrimônio do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephatt).
Para a autora da ação, as grades vão “descaracterizar” visualmente a obra arquitetônica, impedindo “o livre convívio da população no espaço”. A ação sustenta ainda que não haveria necessidade das grades, em decorrência da “presença da base da Polícia Militar” no entorno.
A iniciativa da ação popular é da vereadora Paolla Miguel (PT).

“O Centro de Convivência não é um cercadinho particular da administração. É um espaço histórico de cultura livre, de convivência urbana, de encontros da juventude na região central. Um espaço de afeto e memória da população de Campinas. Há uma série de ilegalidades na decisão do Executivo. Esperamos que, na Justiça, essas ilegalidades sejam reconhecidas e as grades removidas permanentemente”, explica a vereadora Paolla Miguel.
Outro lado
A Prefeitura de Campinas ressalta que o projeto de cercamento “foi amplamente debatido e contou com apoio da sociedade civil, que manifestou preocupação com a preservação e segurança do espaço público”.
A administração lembra que “durante a reunião do Condepacc, foi relatado que poucos dias após o debate sobre a fragilidade do impermeabilizante recém-aplicado na requalificação do CCC, uma pessoa acendeu uma fogueira sobre o material, provocando danos – exatamente como temia o corpo técnico”.
“Para assegurar que o cercamento respeita o legado do arquiteto Fábio Penteado, responsável pelo projeto original do CCC, a Seinfra consultou o Instituto Fábio Penteado e familiares do arquiteto. Segundo a Coordenadoria do Patrimônio Cultural (CDPC), o cercamento protegerá o investimento realizado e contribuirá para a preservação de todo o conjunto arquitetônico”, argumenta a Prefeitura.
“O cercamento do Centro de Convivência é uma medida essencial para garantir a preservação do espaço após um investimento tão expressivo em sua requalificação. A aprovação unânime pelo Condepacc reforça que a proposta foi construída com diálogo, responsabilidade técnica e sensibilidade histórica, cultural e arquitetônica. Esse aval representa um compromisso coletivo com a proteção do nosso patrimônio e com o futuro da cultura em Campinas”, defende a secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli.
Entenda o projeto
O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) aprovou por unanimidade, durante sua 545ª reunião ordinária, a solicitação para o cercamento do Centro de Convivência Cultural de Campinas Carlos Gomes (CCC). A proposta de cercamento foi apresentada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). O cercamento será menor que o perímetro em que hoje estão os tapumes da obra. A praça continuará aberta para uso da população como sempre foi.
O projeto prevê gradis instalados a cinco metros de distância da edificação principal, em um perímetro de 295 metros, com 19 portões distribuídos de acordo com normas de segurança do Corpo de Bombeiros, garantindo ampla circulação e evacuação, caso necessário.
Os gradis são semelhantes aos que foram instalados no Bosque e no Parque Ecológico. O investimento será de R$350 mil, recurso de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Carlos José Barreiro, o cercamento do Centro de Convivência é uma demanda que surgiu desde a concepção do projeto. O objetivo é preservar o teatro de arena de possíveis atos de vandalismo ou de mau uso do ambiente aberto, evitando prejuízos à municipalidade.
Os gradis terão 2 metros de altura e diversos portões para permitir a dispersão de público em caso de alguma ocorrência, em plano que está em aprovação pelo Corpo de Bombeiros.











