O colorido da metrópole desafia a avidez do desenvolvimento. O aniversário de Campinas coincide com a época de floração dos ipês porque a cidade é assim: multicolor, multivida, multipovos, multigêneros e multiplicação. Tem mangueiras e amoreiras em avenidas, caravela em parque, todos as tonalidades de ipês, flamboyants floridos na primavera, vilas centenárias e uma escola pintada de rosa de onde sairão cadetes para o exército.


Campinas tem uma torre chamada castelo de onde se avista boa parte do crescimento policromático alcançado nestes 251 anos. Possui um aeroporto internacional cujo nome remete aos muitos copos virados por tropeiros, história que nasceu nos idos do povoado rural que ainda fazia parte da Vila de Jundiaí. O terminal de grandes pousos e decolagens faz contraponto ao campo dos amarais, para onde vão os voos mais modestos, com a bênção de São Marcos, o bairro vizinho.


E são muitos os bairros e vilas de origens e povoamentos peculiares que habitam nessa metrópole. Alguns de nomes particulares, como o Guanabara, que não se refere ao antigo estado carioca e sim a uma estação de trens; ou o Cambuí, onde já foi abundante um tipo de árvore de mesmo nome; e tem ainda a Vila Industrial, um bairro operário constituído a partir das linhas das estradas de ferro.


A importância da população negra ensinou Campinas a valorizar a cultura afro-brasileira. A capoeira de Angola é celebrada pelo Ponto de Cultura Espaço Arte Africana. Lugares como o Largo São Benedito, a Estátua da Mãe Preta e a Casa de Cultura Fazenda da Roseira são exemplos de locais com forte ligação com a história da cidade que resistiu à abolição da escravidão.


Campinas de migrantes e imigrantes. Japão, Itália e Portugal são fortemente representados, seja por instituições, grupos ou eventos. Terra de palacetes e palácios, como o dos Jequitibás e o dos Azulejos, e do bosque, também dos Jequitibás – a maior árvore nativa do Brasil, conhecida pela imponência e longevidade. A cidade se orgulha do maestro mais famoso da história do Brasil, que empresta o nome a conservatório, bairro, rua e praça.


Ainda que se trate de uma metrópole, dois rivais do mundo da bola são separados por apenas 800 metros de distância e uma larga avenida. De uma “casa” se avista a outra, dificilmente de forma amistosa, mas ambos se equivalem na importância para a história e a vida dos campineiros.


O crescimento populacional do município levou à divisão territorial chamada de distritos. Por aqui são seis: Sousas, Joaquim Egídio, Barão Geraldo, Nova Aparecida, Campo Grande e Ouro Verde. Cada um com suas particularidades, todos cumprem os papéis de moradia, desenvolvimento e lazer. Há singularidades que diferenciam uns dos outros. São como “bolhas” dentro de um grande copo.


A vida tem ritmo próprio para quem mora em Sousas e Joaquim Egídio, regiões que mais se assemelham a Campinas rural onde tudo começou. E é em Barão Geraldo que a diversidade se sobressai: o distrito é casa para quem vem de outros estados, países, de diferentes crenças e ideologias, da liberdade que acompanha a educação e a busca por conhecimento alimentadas pela Unicamp.


No Ouro Verde, Campo Grande e Nova Aparecida está boa parte da força que move Campinas. Campineiros que encontraram aqui o significado de crescimento e que, como reflexo da Metrópole, se desprendem da região Central para criar o próprio espaço de convivência.


No Centro, murais contrastam com o concreto. Dão vida a paredes cinzas. A bandeira do município leva o branco, o azul e o amarelo, além da fênix no brasão, que bem poderia ser uma andorinha, como dita o apelido do município. Nos parques, como o do Taquaral, estão o verde e o lazer sempre tão desejado.


E é na avenida Francisco Glicério, junto ao Largo do Rosário, que pulsa a diversidade. É lá que os campineiros desfilam, se manifestam, festejam e reivindicam respeito e igualdade. Um coração vivaz para uma metrópole de muitas caras e cores.









