Neste sábado (9), parentes e amigos farão uma homenagem especial aos seus entes queridos vítimas do trágico acidente com o voo 2283, que resultou na morte de 62 pessoas em agosto do ano passado, em Vinhedo.
Um ato ecumênico marcará a inauguração de um memorial, incluindo o plantio de árvores.
A programação está prevista para acontecer a partir das 9h na Rua do Observatório, 295 – Mirante Estrelas. O local é próximo ao Mosteiro de São Bento e fica na estrada que leva ao Cristo Redentor de Vinhedo.

A homenagem acontece na data que marca um ano da tragédia e também em meio a um importante depoimento concedido por uma testemunha ao G1. O funcionário, que falou com exclusividade ao portal do Grupo Globo, revelou que o piloto que utilizou o ATR 72‑500 na madrugada anterior ao acidente relatou falhas no sistema de degelo.
O problema, porém, não foi registrado no diário técnico (TLB), uma norma obrigatória. Sem o registro oficial, a aeronave foi liberada para voar na manhã seguinte.
A omissão pode ser peça-chave para explicar a tragédia que matou 62 pessoas, em 9 de agosto de 2024.
O funcionário admitiu que tem um “remorso desgraçado” por não ter documentado o problema e diz que não dorme tranquilo desde a tragédia. O acidente matou 58 passageiros e quatro tripulantes.
O avião seguia de Cascavel (PR) rumo a Guarulhos, quando perdeu sustentação e caiu dentro deo conomínio Recanto Florido. O ATR voa a uma altura que o obriga a ter um sistema de degelo eficiente, já que sua altitude de operação coincide com a presença de nuvens. No dia do acidente, havia alerta nos sistemas de satélite para formação intensa de gelo nas rotas aéreas.
Suspensão
A Voepass, empresa da Passaredo Transportes Aéreos, teve o Certificado de Operador Aéreo (COA) suspenso em março deste ano pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Segundo a Anac, o certificado foi cassado após terem sido identificadas “falhas graves e persistentes no Sistema de Análise e Supervisão Continuada da companhia”. Além da cassação, a empresa também foi multada em R$ 570,4 mil. Não cabem mais recursos à decisão.
O COA é um documento que autoriza uma empresa a operar serviços de transporte aéreo. Segundo a Anac, o COA representa “a responsabilidade e o compromisso da empresa em seguir os padrões de segurança exigidos na aviação civil”.
O caso vem sendo acompanhado por várias instâncias de investigação.
Uma comissão na Câmara Federal, presidida pelo deputado Bruno Ganem, de Indaiatuba, também acompanha o caso. A tragédia resultou anda na criação da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283. Leonardo Amarante, advogado especializado em responsabilidade civil, é um dos porta-vozes do caso.












