Os jogadores da Ponte Preta decidiram não treinar nesta quinta-feira (7) em protesto contra o atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de junho. A paralisação ocorreu no CT do Jardim Eulina, onde estava programado o treino do dia. O elenco compareceu ao local aguardando uma reunião com a diretoria para resolver a situação, mas o encontro terminou sem acordo.
O presidente do clube, Marcos Eberlin, não compareceu. A diretoria foi representada pelo 2º vice-presidente Nenê Tognolo, mas nenhum acordo foi oficializado. Diante disso, os atletas optaram por não realizar o treinamento tático.
No momento, a paralisação é considerada pontual, e o grupo deve estar à disposição normalmente para enfrentar o Botafogo-PB neste sábado (9), às 17h, no Estádio Almeidão, em João Pessoa. O clube ainda não se posicionou sobre o caso.
Como funciona o acerto salarial
A prática adotada pela Ponte Preta é de pagar os salários até o fim do mês seguinte ao trabalhado. Assim, o prazo para o pagamento dos vencimentos de junho expirou em 31 de julho. Desde então, os jogadores esperavam que o depósito fosse feito até o quinto dia útil de agosto — o que também não ocorreu.
A comissão técnica, por sua vez, está com salários em atraso desde maio. O mesmo problema já havia ocorrido com os pagamentos daquele mês, que só foram regularizados no início de julho. Contudo, o pagamento contemplou apenas os jogadores e não a comissão.
O clube atravessa um momento delicado financeiramente. No mês passado, a Ponte sofreu um transfer ban imposto pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) após atrasar duas parcelas de um acordo firmado com a entidade.
Na época, o presidente Marcos Eberlin reconheceu o bloqueio em entrevista e minimizou os efeitos do atraso salarial: “Temos que pagar até o fim do mês. A comissão técnica também não recebeu. Mas tudo isso foi conversado e não influencia no rendimento da equipe.”
Paralisação vem após o dérbi
Às vésperas do dérbi contra o Guarani, jogadores e comissão técnica evitaram se posicionar publicamente sobre o atraso. Em entrevista coletiva no dia 31 de julho, o técnico Alberto Valentim destacou o comprometimento do elenco com o trabalho: “Nada vai mudar em relação àquilo que a gente tem feito aqui. Se tem uma coisa que eu posso falar é que esse grupo é f… De um profissionalismo, de homens, de pais de família muito sérios. Essas questões salariais são resolvidas aqui dentro entre nós.”
Na mesma data, o goleiro Diogo Silva também se pronunciou e lembrou que o grupo ainda confiava em uma resolução até o fim do mês: “No mês passado houve atraso, mas o presidente veio, conversou com a gente e acertou. Desta vez, ele disse que pagaria até o fim do mês. Estamos focados na partida e esperando que tudo se resolva.”
Mesmo com as questões fora de campo, a Ponte Preta vive bom momento na Série C. Vice-líder da competição com 27 pontos, a equipe está muito próxima de garantir a vaga no quadrangular final que definirá os acessos à Série B de 2026.











