Entre os itens exportados pelos produtores paulistas para a economia norte-americana, cerca de 43% não serão impactados pelo tarifaço dos Estados Unidos, considerando os volumes acumulados em dólares entre 2022 e junho de 2025. Esse percentual é semelhante quando se considera as exportações paulistas no ano de 2024.
Nesse grupo de produtos que foram incluídos nas exceções ao tarifaço, estão óleos brutos de petróleo e minerais betuminosos, aviões e outros veículos aéreos e suas partes, suco de laranja, peças para transmissão, motores e bombas de ar, que, juntos, compõem 88% do volume de exportações que não será impactado diretamente neste momento pelo tarifaço.
Por outro lado, as tarifas incidirão sobre tratores Bulldozer e Angledozer, carregadoras, pás carregadoras, niveladoras e dumpers, que respondem por aproximadamente 20% das exportações paulistas afetadas, além de outros equipamentos. Também serão impactados a cadeia produtiva de álcool etílico, açúcar de cana, pneus de borracha, carnes bovinas, entre outros.
Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações paulistas entre 2022 e junho de 2025, respondendo por 18% do volume movimentado em dólares. Isso permite inferir que cerca de 10% das exportações paulistas serão impactadas diretamente pelo tarifaço, que já entrou em vigor.
Em 2024, o saldo superavitário de comércio exterior respondeu por 0,49% do PIB nacional. Tomando como referência a estimativa do PIB paulista realizada pelo SEADE para 2024, de R$ 3,497 trilhões, estima-se que o efeito direto do déficit do comércio exterior do estado de São Paulo será de -0,84% do PIB estadual. As exportações paulistas corresponderam a aproximadamente 22% do PIB paulista, e as importações, a cerca de 24%.
Considerando a participação do mercado estadunidense nas exportações do estado e a proporção do impacto do tarifaço sobre o volume de itens exportados, entre 2% e 2,5% do PIB paulista tende a ser impactado diretamente. Vale destacar que ser impactado não significa que haverá necessariamente uma retração no PIB paulista desse montante.
O tamanho efetivo do impacto certamente variará entre as diferentes atividades exportadoras e unidades produtivas. Alguns setores sofrerão impactos mais intensos, com possíveis inviabilizações de algumas atividades ou unidades.
O governo paulista anunciou, no último dia 30 de julho, a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados de ICMS no programa ProAtivo, além da duplicação da linha de crédito destinada às empresas exportadoras paulistas para R$ 400 milhões. O governo federal também estuda um pacote de apoio às empresas afetadas pelas tarifas, o que deve aliviar os impactos.
É fundamental considerar que estamos em um processo de transição da organização produtiva mundial e da sua distribuição ao redor do globo. As vertentes protecionistas começaram a se ampliar, ainda que em ritmo lento, após a crise financeira de 2008. Os impactos econômicos da pandemia intensificaram a adoção de políticas públicas para proteger e estimular o setor produtivo em diversos países, especialmente nos mais ricos. Alguns mega oligopólios de atuação mundial também buscaram apoio em ações protecionistas para proteger suas atividades.
As recentes medidas de Donald Trump exacerbaram os esforços protecionistas no período pós-pandemia. Para além dos efeitos imediatos e dos esforços necessários para amenizar seus impactos, é fundamental compreendermos que estamos diante de um cenário de mudanças geoeconômicas que deverão se estender pelos próximos anos, quiçá décadas.
Tanto as ações de políticas públicas em prol do setor produtivo local serão fundamentais, quanto as estratégias dos agentes privados na condução de seus empreendimentos a partir da compreensão do cenário econômico e suas perspectivas.
A política de desenvolvimento econômico do estado de São Paulo nos últimos 40 anos possibilitou a criação do maior e mais robusto sistema de inovação tecnológica do país, consolidou o maior parque de formação profissional do Brasil e manteve a economia paulista como a mais importante e competitiva do país, com forte expansão para o interior do estado.
Prof. Dr. Santo Renato Maskio é economista, pós-Doutor em Economia pela FEARP / USP
Prof. Me. Marco Aurélio Barbosa de Souza (FAC-FEA), é economista, Mestre em Economia pela Unesp/Araraquara e CEO da Plataforma Observatório Econômico







