A onda de intoxicações provocadas por bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo, que já resultou em pelo menos seis mortes e várias internações graves, repercutiu diretamente em Campinas. Pelo menos quatro dos principais clubes da cidade — Clube Regatas, Círculo Militar, Tênis Clube de Campinas e Sociedade Hípica — anunciaram a suspensão temporária da venda de destilados em suas sedes, como medida preventiva para proteger associados e convidados.
No Clube Regatas, a diretoria informou que a suspensão valerá para todo o clube, ressaltando que a decisão foi tomada “por precaução” diante dos “recentes e graves acontecimentos envolvendo a comercialização de bebidas adulteradas”.

Já o Círculo Militar de Campinas recomendou maior rigor na fiscalização por parte de bares e restaurantes internos, incluindo a verificação na aquisição e manuseio das bebidas. A entidade destacou que a suspensão temporária das vendas ficará a critério de seus parceiros, mas recomendou a medida.
No Tênis Clube de Campinas, a decisão foi mais ampla: além da suspensão imediata da venda de destilados nas unidades de Campo e Cambuí, os concessionários foram orientados a enviar notas fiscais de compra de bebidas em estoque e de futuras aquisições, além de criar protocolos de segurança junto às nutricionistas para garantir confiança no retorno das vendas.
A Sociedade Hípica de Campinas também aderiu à medida preventiva, alinhando-se às demais agremiações da cidade.
A posição dos clubes locais está em sintonia com o Sindi Clubes, entidade que representa associações esportivas e recreativas no Estado.
O Sindi Clubes alerta que o consumo das bebidas adulteradas causa graves consequências “o que torna imprescindível medidas imediatas para mitigar os riscos e proteger os clubes associados ao sindicato”
Em nota, a diretoria do sindicato ressaltou que, diante da gravidade da situação e dos riscos à saúde, “torna-se imprescindível tomar medidas imediatas para mitigar riscos e proteger nossas agremiações”.
O órgão recomendou formalmente a suspensão preventiva da venda de destilados até que haja “maior clareza sobre a origem do problema e a definição de medidas seguras para sua resolução”.
A recomendação, segundo o sindicato, busca preservar não apenas os consumidores, mas também a reputação das entidades, demonstrando cuidado e responsabilidade diante de uma crise de tamanha gravidade.
Emergência médica
A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.
Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).
Em caso de identificação dos sintomas, buscar imediatamente os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das instituições a seguir:
Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);
Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país.
É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado.
A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente.
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