Marcelo Fernandes é o comandante da arrancada da Ponte Preta rumo à final da Série C, que pode render ao clube o primeiro título nacional de sua história. A campanha coloca o treinador de 54 anos em evidência, consolidando-o como técnico principal após mais de uma década como auxiliar no Santos. Apesar de ter assumido interinamente o time da Baixada em diferentes momentos, Marcelo ainda não havia conduzido uma campanha completa à frente de uma equipe em que fosse reconhecido como treinador efetivo. A jornada na Macaca marca, enfim, sua consolidação no cargo.
A Ponte Preta enfrenta o Londrina neste sábado (25), às 17h, no Estádio Moisés Lucarelli, após empatar por 0 a 0 na partida de ida. Agora, depende apenas de uma vitória simples para levantar a taça. Nesta terça-feira (21), a Macaca vendeu 10 mil ingressos em apenas 20 minutos para a decisão. Com os 2 mil check-ins realizados previamente por sócios, o público confirmado já chega a 12 mil torcedores.
No comando pontepretano, Marcelo precisou lidar com uma série de desafios: chegou após uma passagem frustrante pelo maior rival, perdeu titulares importantes, enfrentou atrasos salariais, administrou um vestiário sob pressão e ainda encontrou soluções dentro do próprio elenco para manter o time competitivo.
O técnico conduziu o grupo ao acesso — principal objetivo da temporada — e agora chega à final com a chance de se eternizar na história do clube.
Após a vitória no Dérbi 212, que garantiu a Ponte na decisão, Marcelo destacou a importância pessoal deste momento:
“A importância da vitória aqui é para a Ponte Preta. Mas eu precisava muito também. Tive 13 anos de Santos, tenho um título paulista, já passei tanta coisa lá. Peguei 15 jogos faltando para o rebaixamento, fiz um baita número de aproveitamento e, infelizmente, caímos. Todo profissional quer esse momento, e eu precisava entrar nessa bolha. Eu era o Marcelo Fernandes, auxiliar do Santos. Tanto que, quando eu vim para o Guarani, muitas pessoas desconfiavam. Agora, sim, na Ponte, abrimos de vez. Estou muito feliz, mas já pensando no Londrina. No futebol só tem espaço para quem vence.”
Pelo Santos, Marcelo comandou o time campeão paulista de 2015 e reassumiu o elenco principal em 2023, na luta contra o rebaixamento. Conduziu a equipe em 15 partidas, conquistando vitórias sobre Flamengo, Palmeiras e Bahia, mas três derrotas seguidas nas rodadas finais culminaram na queda inédita do Peixe. Ao todo, somou 62 jogos como treinador, com 27 vitórias, 15 empates e 20 derrotas — um aproveitamento superior a 50%. Como auxiliar, participou de conquistas marcantes, como os Paulistas de 2011, 2012 e 2016, além da Libertadores de 2011 e da Recopa de 2012.
Antes de chegar à Ponte, Fernandes ainda passou pelo Guarani. Assumiu o Bugre em abril e iniciou bem: herdou o time zerado após três rodadas e chegou a ficar sete jogos sem perder, mas deixou o cargo após quatro partidas sem vitória. Foram quatro vitórias, quatro empates e três derrotas durante toda a passagem.
Chegada em meio à turbulência
A saída do Guarani abriu um novo capítulo na carreira do técnico. Menos de 20 dias depois, Marcelo recebeu a ligação de João Brigatti, coordenador técnico da Ponte Preta, que o convidou a assumir a equipe após a saída de Alberto Valentim para o América-MG. Ele chegou em 12 de agosto, num dos períodos mais conturbados do clube. A Macaca enfrentava atrasos salariais — referentes a junho para os atletas e a maio para a comissão técnica —, situação que gerou uma paralisação dos jogadores às vésperas do duelo contra o Botafogo-PB, ainda na primeira fase.

Na mesma época, Jean Dias e Maguinho, titulares absolutos, deixaram o clube e chegaram a acionar a Ponte na Justiça. O transfer ban imposto pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF, por atraso no pagamento de duas parcelas, impedia novas contratações.
Marcelo assumiu a equipe com apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, mas ainda no quarto lugar, dentro da zona de classificação aos quadrangulares.
Reação e melhor início de um treinador em 56 anos
Foi a partir daí que a reação começou. Sob seu comando, a Ponte engatou três vitórias seguidas — sobre Itabaiana, CSA e Londrina, este agora adversário da final — e reassumiu a vice-liderança geral. Mesmo assim, Fernandes ainda enfrentou novas baixas: o zagueiro Emerson Santos deixou o clube rumo ao América-MG, o volante Dudu retornou ao Vitória, e o atacante Everton Brito sofreu uma lesão grave que o tirou da temporada.
Sem cinco titulares e sem poder contratar, Marcelo recorreu a alternativas internas, mas que eram consideradas reservas. Passaram a ganhar espaço Pacheco, Saimon, Rodrigo Souza, Léo Oliveira, Luiz Felipe, Bruno Lopes e o atacante Jonas Toró, que se tornaria o artilheiro da equipe. Com o reforço de jovens como Gustavo Telles e Miguel, e a consistência dos remanescentes Diogo Silva, Wanderson, Artur, Elvis e Jeh, a Macaca emendou seis vitórias consecutivas — o melhor início de um treinador na Ponte desde Zé Duarte, em 1969.
Entre esses triunfos, destacou-se o Dérbi 211, vencido por 1 a 0 no Brinco de Ouro, diante do maior público em clássicos campineiros neste século. O gol foi de Toró, que marcou em quatro jogos seguidos e agora soma sete na competição, apenas um a menos que o artilheiro Iago Teles, do Londrina.
Com a sequência positiva, a Ponte garantiu o acesso à Série B com duas rodadas de antecedência, cumprindo o primeiro objetivo da temporada. Depois, classificou-se à final ao bater o maior rival por 2 a 0 dentro do Moisés Lucarelli — resultado que, além de consolidar o trabalho de Marcelo, manteve o Guarani na Série C de 2026. A Ponte chegou a uma final de campeonato nacional depois de 54 anos.
Hoje, a Ponte soma sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota sob o comando de Fernandes. Foram apenas quatro gols sofridos em dez jogos, tornando a defesa uma das marcas da equipe.
Agora, diante do Londrina, a Ponte precisa de uma vitória simples neste sábado (25), às 17h, no Moisés Lucarelli, para conquistar o primeiro troféu nacional de sua história e eternizar Marcelo Fernandes — e seu chamado “Elenco de Homens” — na história da Macaca.







