No ambiente cultural de Campinas existe uma entidade, surgida no primeiro ano do século 20, precisamente em 31 de outubro de 1901, que vem testemunhando, recolhendo, organizando e guardando, zelosamente, a produção artística, científica, literária e imagética criada pela população. Essa instituição é o Centro de Ciências, Letras e Artes, que abriga o Museu Carlos Gomes, a imensa Biblioteca César Bierrenbach, o Memorial de Manuel Ferraz de Campos Salles e coleções de memorabilia que remetem a personagens, monumentos, locais e fatos históricos.
Para marcar os 124 anos da fundação desse patrimônio que abriga o passado e o presente da cidade, sua diretoria realizará nesta sexta-feira, às 19h30, a solenidade comemorativa onde se destaca a inauguração da Galeria de Colaboradores Notáveis, na qual serão homenageados anualmente associados que se destacam pela sua atividade e contribuições culturais à entidade.
Os primeiros notáveis, escolhidos para abrir o painel, são o advogado e escritor Agostinho Toffoli Tavolaro, e o professor de História Duílio Battistoni Filho.
Na programação consta, também, a entrega do título de Associado Honorário ao professor Sidney Lisboa Rocha, idealizador do ciclo de mini-aulas virtuais, “Histórias de Campinas”. O orador oficial da sessão será o professor Duílio Battistoni Filho, com palestra que resgata momentos memoráveis da trajetória do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA).
A Revista do CCLA, cujo primeiro número circulou em 1902, está lançando a edição de número 74. Cada pessoa presente ao evento receberá um exemplar. A revista traz artigos que versam sobre história e personagens, ecologia, inteligência artificial, Instituto Agronômico de Campinas, poesia e contos, etc.
Ao final, será oferecido recital em solos de piano por José Francisco da Costa.

Legado
Durante as primeiras décadas do século 20, onde se observava em Campinas a ausência de órgãos dedicados exclusivamente à cultura, o CCLA reuniu e promoveu grande parte das produções culturais da cidade. Nas primeiras décadas do século 21, o CCLA é cada vez mais respeitado por sua impressionante trajetória e pela contínua promoção de atividades artísticas e culturais, envolvendo as linguagens tradicionais e aquelas típicas da sociedade contemporânea.
O CCLA conta com uma biblioteca estimada em mais de 100 mil volumes, Pinacoteca e o Museu dedicados ao Maestro Carlos Gomes.
Possui também o Memorial a Campos Sales e, outro, a ser inaugurado em 2026, o Memorial à soprano Niza de Castro Tank, Galeria de arte Egas Francisco, Sala de Leitura, Vitrine Cultural e auditório para 220 pessoas integram este complexo.
O auditório foi palco para espetáculo de Procópio Ferreira e apresentação de artistas como Guiomar Novaes, Regina Duarte, Eudóxia de Barros, Fernando Lopes, Neyde Thomas, Niza de Castro Tank, entre outros de repercussão nacional e internacional.
A primeira exposição futurista no Brasil, de Lasar Segall, fora de São Paulo, aconteceu no CCLA, que abriga uma de suas obras, doada pelo pintor. No Centro também houve a primeira leitura de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, obra seminal na literatura brasileira, que o autor expôs para o professor Henrique M. Coelho Neto, para o polímata José de Campos Novaes e para o tribuno César Bierrenbach, fundadores do CCLA.
Na década de 1950, o Centro de Ciências, Letras e Artes criou o primeiro cineclube de Campinas.
Em 1961, quando o CCLA comemorou 60 anos, a instituição promoveu uma série de palestras sobre o “Panorama da Cultura no Brasil”. Participaram nomes da cultura brasileira na época, como Antônio Cândido, Júlio de Mesquita Filho, Florestan Fernandes, Dami Souza Santos, Mario Schenberg e o professor Pietro Maria Bardi.
Entre outros, foram presidentes do CCLA: Bráulio Mendes Nogueira, Elisiário P. Palermo, Rodolfo Bueno, Herculano Gouveia, Francisco Isolino de Siqueira, Álvaro Cotomacci e Marino Ziggiatti. O atual presidente é Alcides Acosta.
Entre 1994 e 1997 o Centro teve a primeira presidente mulher, a professora Dayz Peixoto, em cuja gestão foi modernizado o Museu Carlos Gomes, com o apoio de Fúlvia Gonçalves e da Fapesp.









