O primeiro título nacional da história da Ponte Preta ganhou ampla repercussão em todo o Brasil — e também fora dele. Afinal, um clube tão tradicional quanto a Macaca, com 125 anos de história, finalmente conquistou um troféu tão sonhado e encerrou um jejum histórico. A festa da torcida e o simbolismo da conquista ultrapassaram as fronteiras e chegaram às páginas argentinas.
O tradicional Diário Olé, principal jornal esportivo da Argentina, definiu o feito como “Loucura no Brasil”, destacando a invasão de campo, o furto das placas de substituição e a suspensão da cerimônia de premiação pela CBF. Apesar de apontar o lado inusitado da comemoração pontepretana, a publicação ressalta a importância histórica da conquista e o papel central da torcida na celebração.
“Sempre que um time conquista um campeonato, o dia é repleto de comemorações por parte dos torcedores. E foi no Brasil, depois que um time modesto de São Paulo conquistou seu primeiro título na história, que os torcedores do clube se tornaram as estrelas do dia”, destacou o jornal argentino.
A reportagem descreve a invasão de campo após o apito final da vitória por 2 a 0 sobre o Londrina, relatando que a situação “saiu do controle”, com torcedores subindo nas traves e registrando furtos de celulares, das redes dos gols e até da placa eletrônica de substituição.

De acordo com a Polícia Civil, foram registrados pelo menos 23 boletins de ocorrência relacionados a furtos de celulares no último sábado (25), dia da final, dentro e fora do estádio Moisés Lucarelli. Além disso, o árbitro Felipe Fernandes de Lima relatou na súmula o desaparecimento das placas eletrônicas:
“Fui informado pelo delegado da partida que, após a invasão de campo por parte da torcida da Ponte Preta, sumiram as duas placas eletrônicas de substituição.”
Horas depois, fotos de torcedores segurando uma das placas começaram a circular nas redes sociais — episódio também citado pelo Olé. Os equipamentos já foram devolvidos ao clube. Ainda assim, foram registrados danos ao gramado e ao banco de reservas, e a Ponte segue apurando o prejuízo total.

“A invasão acabou contagiando a maioria dos presentes no Moisés Lucarelli e resultou no campo completamente tomado pela torcida. No entanto, apesar da euforia pela conquista, a situação saiu do controle: vários torcedores subiram nas traves dos gols e iniciaram uma série de furtos, levando celulares, as redes dos gols e até o painel eletrônico do quarto árbitro”, descreveu o Olé.
A invasão pode gerar punições à Macaca. O artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê multa de R$ 100 a R$ 100 mil em casos em que um clube “deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir” desordem, invasão de campo ou arremesso de objetos.
Há ainda a possibilidade de perda de mando de campo. Vale destacar, no entanto, que o clube orientou os torcedores, antes e durante a partida, para que não invadissem o gramado.
A confusão também impediu a entrega da taça. O protocolo previa que o presidente da CBF, Samir Xaud, entregasse o troféu e as medalhas aos campeões diretamente no campo, o que não foi possível. A entidade informou que irá remarcar a cerimônia, mas ainda não há data definida.
“Por conta dessa situação caótica, a CBF se viu obrigada a suspender a cerimônia de premiação, onde seriam entregues o troféu e as medalhas da consagração, resultado dessa confusão entre os torcedores da Ponte Preta”, finalizou o Olé.







