Enquanto muitos olhavam para o final de 2025, o Congresso Nacional definiu na semana passada as regras do jogo para o próximo ano. A aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 traz um detalhe técnico que muda tudo para quem vive nas cidades: o prazo. Por ser um ano eleitoral, Brasília travou o relógio. Todo o recurso de emendas parlamentares – aquele dinheiro vital que ajuda a reformar a UBS, recapear a avenida ou custear o hospital – terá que ser liberado obrigatoriamente até o dia 30 de junho.
Para o cidadão comum, isso pode parecer apenas burocracia. Mas, para quem é prefeito, como eu que já fui três vezes para Jaguariúna, isso acende um sinal de alerta gigantesco. Significa que eles terão apenas seis meses para garantir que os projetos saiam do papel.
São nestes momentos que fica evidente a importância estratégica da nossa Região Metropolitana de Campinas (RMC) ter força política real nas esferas de decisão.
A vida acontece nas cidades, mas os recursos, infelizmente, concentram-se na União e no Estado. O prefeito é quem ouve a reclamação na padaria e quem vê o problema na ponta, mas muitas vezes fica de mãos atadas aguardando a liberação de uma verba que demora a chegar. Eu conheço essa angústia. E sei o quanto Jaguariúna avançou porque fomos incansáveis em buscar esses recursos, transformando nossa cidade em referência de gestão em saúde e educação.
Mas também sei o quanto poderíamos ter feito a mais, e mais rápido, se não dependêssemos tanto da boa vontade de gabinetes distantes.
A LDO de 2026 nos ensina uma lição clara: não basta ter boas ideias, é preciso ter “caneta” e representatividade para defender a nossa região na hora da partilha do bolo.
Ter deputados que conheçam o “chão de fábrica” da gestão municipal, que saibam a diferença que uma emenda faz no orçamento de uma cidade do Interior, não é luxo; é necessidade.
A RMC é uma potência econômica, mas politicamente ainda precisamos ocupar mais espaços. Precisamos de vozes que não apenas enviem recursos, mas que entendam a lógica da execução, que saibam destravar a burocracia porque já estiveram do lado de cá do balcão.
Jaguariúna provou que gestão eficiente transforma vidas.
Agora, imagine essa mesma eficiência levada para a discussão do orçamento regional e estadual. Imagine ter, nas mesas onde as decisões são tomadas, alguém que olhe para a RMC não como um mapa de votos, mas como um conjunto de cidades que precisam de infraestrutura e desenvolvimento integrados.
O calendário de 2026 será curto e desafiador. Mais do que nunca, a nossa região precisa de liderança, experiência e força política. O futuro das nossas cidades depende de quem tem a capacidade de decidir por elas.
Gustavo Reis, ex-prefeito de Jaguariúna e ex-presidente do Conselho da RMC, é vice-presidente da Associação Paulista de Municípios (APM)







