Campinas apresentou aumento no número de casamentos e redução nos divórcios judiciais em 2024, segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar da queda, o município permanece entre os que mais registram separações no Estado e no país, além de ocupar posições de destaque no número de óbitos.
O levantamento mostra que a cidade contabilizou 6.548 casamentos em 2024, número superior aos 6.275 realizados em 2023. Com esse volume, Campinas se consolidou como a segunda cidade com mais casamentos no Estado de São Paulo, atrás apenas da capital, e manteve a 11ª colocação nacional, reforçando a relevância do município no cenário demográfico paulista.
A principal mudança captada pela pesquisa está nos divórcios judiciais, que registraram queda. Foram 2.511 processos em 2024, contra 2.729 no ano anterior. Mesmo assim, Campinas permanece como o terceiro município paulista com maior número de dissoluções reconhecidas pela Justiça e aparece também em 11º lugar no ranking nacional.
No cenário nacional, o Brasil registrou 428.301 divórcios em 2024, somando decisões judiciais e escrituras extrajudiciais, o que representa uma queda de 2,8% em relação ao ano anterior. Foi a primeira redução desde 2020. As regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste puxaram o recuo, enquanto o Norte foi a única a registrar aumento.
Para a gerente da pesquisa, Klívia Brayner, a redução observada no país — e também em Campinas — ainda não representa uma mudança de comportamento consolidada. “A queda na quantidade de divórcios é pequena. Quando olhamos a série histórica, vemos que essas variações são cíclicas. É preciso esperar novas divulgações para observar se há mudança de tendência”, afirma.
Óbitos
Além dos casamentos e divórcios, os recentes dados do IBGE mostram que Campinas também registrou alta no número de óbitos. O município contabilizou 8.960 mortes em 2024, acima das 8.509 do ano anterior, e aparece como o terceiro maior índice do Estado, atrás apenas da capital e de Guarulhos. No ranking nacional, figura na 13ª posição.
O estudo também destaca um marco no país: pela primeira vez, a guarda compartilhada superou a guarda materna entre pais que se divorciaram judicialmente e têm filhos menores.
Em 2024, 44,6% dos divórcios resultaram em guarda compartilhada, ante 42,6% concedidos exclusivamente à mãe. Para Klívia Brayner, o movimento está diretamente ligado à Lei 13.058/2014, que passou a priorizar esse modelo mesmo sem consenso entre os pais.
“A pesquisa mostra que essa inversão de tendência é consequência da Lei n. 13.058, de 2014, que passou a priorizar a guarda compartilhada ainda que não haja acordo entre os pais quanto à guarda dos filhos, desde que ambos estejam aptos a exercer o poder familiar”, avalia a gerente da pesquisa.
Casamento entre pessoas do mesmo sexo bate recorde
O número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo bateu recorde em 2024, com 12.187 registros, alta de 8,8% em relação ao ano anterior (11.198). É o maior número desde o início da série histórica, em 2013. Desse total, os casamentos entre cônjuges femininos representaram 64,6%. Em relação a 2023, os casamentos entre mulheres tiveram aumento de 12,1%; já entre homens, o crescimento foi de 3,3% no mesmo período.
“A tendência é de que a cada ano seja maior. Tanto pela aceitação maior da sociedade quanto pela lei. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça aprovou uma resolução impedindo que cartórios de todo o país se recusassem a converter uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo em casamentos”, explica Klívia.
Centro-Oeste (28,2%), Nordeste (16,4%), Sudeste (6,1%) e Sul (4,2%) tiveram aumento no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. A única redução foi no Norte (-4,2%).







