Funcionários do complexo de saúde da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciaram, nesta segunda-feira (15), uma paralisação de 48 horas em protesto contra o projeto que propõe a transformação da gestão da área da saúde da universidade em uma autarquia.
A mobilização inclui greve parcial e passeata no campus de Campinas e ocorre na véspera da votação do tema pelo Conselho Universitário (Consu), marcada para esta terça-feira (16).
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), cerca de 30% dos servidores da área da saúde aderiram à greve. Para cumprir a legislação, os funcionários estão se revezando nas unidades hospitalares, garantindo a manutenção mínima dos serviços essenciais. Segundo o sindicato, os principais impactos são sentidos nos ambulatórios e nas cirurgias eletivas.
Em nota, o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp informou que todas as atividades assistenciais, tanto eletivas quanto de urgência, estão sendo mantidas normalmente.
A paralisação acontece nos dias 15 e 16 de dezembro, nesta segunda e na terça. Após a deliberação do Conselho Universitário, o comando de greve informou que irá reavaliar a mobilização em assembleia prevista para o dia 17.
Projeto divide opiniões no Conselho Universitário
A proposta de autarquização da área da saúde já havia gerado intensos debates no Consu no início do mês. Em uma sessão extraordinária que durou mais de quatro horas, o Conselho decidiu retirar o tema da pauta, entendendo que o projeto envolve mudanças estruturais profundas e exige mais discussão com a comunidade acadêmica. A matéria foi, então, remarcada para a reunião desta terça-feira.
O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, afirmou respeitar a decisão do plenário e destacou que o objetivo da reitoria ao apresentar o projeto é buscar alternativas para melhorar o financiamento da universidade e viabilizar a expansão acadêmica.
“O importante é que conseguimos colocar o financiamento da universidade e da área da saúde como um tema prioritário para a comunidade”, afirmou o reitor ao final da sessão.
Entenda a proposta
Pelo projeto, a gestão administrativa e orçamentária do complexo de saúde da Unicamp passaria a ser vinculada à Secretaria Estadual de Saúde, enquanto a universidade manteria a responsabilidade pelas atividades de ensino, formação de estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisa e aperfeiçoamento profissional. O atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) continuaria integral.
A proposta também está diretamente ligada a um plano de expansão acadêmica que prevê, até 2036, a criação de novos cursos, o ingresso de mais de 11,5 mil estudantes e a contratação de mais de 2 mil servidores, entre docentes e funcionários, além de investimentos em infraestrutura.
Segundo a reitoria, a mudança permitiria aliviar gradualmente a pressão financeira sobre a universidade, uma vez que o custeio das unidades assistenciais passaria a ser assumido de forma escalonada pela Secretaria de Saúde.
Atualmente, a área da saúde integra o organograma da Unicamp e deve consumir cerca de R$ 1,1 bilhão do orçamento da instituição em 2025.
O modelo proposto segue experiências já adotadas em universidades estaduais paulistas, como a Faculdade de Medicina da USP, onde a autarquia existe há cerca de quatro décadas, e a Unesp de Botucatu, que adotou o sistema em 2010.
Enquanto a votação não ocorre, o projeto segue mobilizando servidores, estudantes e gestores, evidenciando a tensão entre a busca por novas fontes de financiamento e as preocupações com possíveis impactos na autonomia universitária e nas condições de trabalho.







