As câmeras de monitoramento de fauna da Mata de Santa Genebra, conduzido por biólogos da Fundação José Pedro de Oliveira (FJPO), têm permitido o registro de momentos pouco comuns de espécies discretas que habitam a área. Um desses destaques recentes é a saracura-três-potes, ave considerada tímida e que, na maioria das vezes, é mais ouvida do que vista.
O verão, tipicamente o período mais quente e chuvoso do ano, representa uma fase de intensa atividade para a fauna nativa. Com dias mais longos e maior disponibilidade de alimento, muitas espécies aproveitam o momento para se reproduzir, como foi observado no caso da saracura-três-potes.
Ao analisar imagens de uma das câmeras instaladas na mata, os biólogos identificaram, a partir do dia 15 de dezembro, um casal de saracuras-três-potes em busca de alimento. Cerca de uma semana depois, os primeiros registros dos filhotes apareceram nas gravações, ainda com a plumagem escura característica dos jovens.
Já no dia 5 de janeiro, a família voltou a ser flagrada, desta vez com os três filhotes apresentando coloração mais semelhante a dos adultos.
Conforme o biólogo da FJPO, Thomaz Barrella, a saracura-três-potes (Aramides cajaneus) habita principalmente áreas alagadas, como brejos, margens de rios e lagoas.
“O nome popular da espécie tem origem em seu canto grave e alto, geralmente emitido em duplas ou em coro por grupos”, diz.
Barrela reforça a importância de a população estar atenta a esse período reprodutivo da fauna nativa e contribuir para a conservação das espécies. “A orientação é não retirar filhotes de seu ambiente natural, mesmo quando aparentam estar sozinhos”.
O biólogo orienta ainda que ao encontrar um filhote de ave silvestre, o mais indicado é manter distância e observar se os pais continuam oferecendo cuidados. “Outras atitudes simples, como afastar animais domésticos e reduzir riscos de atropelamento, também ajudam a proteger a fauna local”, destaca.
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