A Unicamp avançou nas tratativas para a criação na universidade do primeiro centro internacional de pesquisa com foco em estudos sobre a migração. Uma reunião na última terça-feira (27) entre a Reitoria e instituições francesas, parceiras na ação, definiu os próximos passos para a institucionalização da iniciativa. O centro deverá receber financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na casa dos R$ 30 milhões, por meio do programa Centro Internacional de Pesquisa (CIP).
“Será o primeiro centro dessa magnitude na América Latina e uma referência mundial, principalmente fomentando o diálogo dos países colonizados para falar de migração. A Unicamp se beneficia muito dessa proposta e consegue também ampliar o seu espectro de ação”, destacou Ana Carolina Maciel, presidenta da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, uma iniciativa da Agência da ONU para Refugiados em parceria com universidades brasileiras.
A Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, a Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (École des hautes études en sciences sociales – EHESS) e o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (Institut de Recherche pour le Développement – IRD) são as instituições francesas parceiras na ação.
A possibilidade de concretização desse centro no Brasil surgiu a partir de projetos e ações sobre deslocamentos forçados desenvolvidos com parceiros franceses por Ana Carolina nos últimos cinco anos, a exemplo do Seminário Internacional Refúgio Acadêmico, com edições na Unicamp e na França e, neste ano, em países da África. “As pessoas foram se interessando muito pela proposta. Agora, podemos pensar também essa questão migratória no eixo Sul-Sul”, afirmou a docente, que é International Fellow no Institut Convergences Migrations (ICM), localizado em Paris.
Palavra do reitor
O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, destacou a força da Universidade na área das humanidades e disse que a intenção é que o centro integre pesquisadores de diferentes campos científicos. “É um tema muito importante que deve interessar a toda a universidade, porque a questão das migrações está relacionada com os territórios e com as concepções políticas do mundo. É fundamental que a Unicamp possa liderar um grande projeto nessa área.”
Montagner informou que estão em andamento reuniões preliminares para refinamento da proposta de criação e governança do centro. O próximo encontro deve ocorrer na sede da Fapesp em São Paulo.
O coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, Carlos Vogt, também envolvido na criação do centro, destacou a capilaridade do tema de migrações nas áreas sociais, ambientais, de saúde e outras. “O centro nasce com uma inserção muito grande, do ponto de vista da política institucional e da organização acadêmica, porque ele tem uma transversalidade muito grande.”
Colaboração franco-brasileira
A adida de cooperação para ciência e tecnologia no Consulado Geral da França em São Paulo, Marion Magnan, reiterou o interesse em concretizar essa parceria o mais rápido possível. “Temos conversado com o atual reitor sobre a importância dessa relação e de encontrar projetos de pesquisa com tamanho suficiente para constituir um centro internacional. Esse projeto sobre migração, tanto para a Unicamp como para os três parceiros franceses, é o projeto ideal para essa nova aventura de pesquisa franco-brasileira.”
O IRD, um dos parceiros na ação, é uma instituição pública francesa que desenvolve atividades de pesquisa, formação e inovação junto de instituições brasileiras há mais de 60 anos em diferentes campos, como, por exemplo, questões ligadas a ciências do oceano, biodiversidade e recursos hídricos. Agora, o Instituto terá um ponto de referência no estado de São Paulo dedicado à cocriação de projetos relacionados à migração, conforme disse o representante do Instituto no Brasil, Abdelfettah Sifeddine.
“Para o IRD, que já tem uma história de trabalho com migração, esse centro vai fortalecer muito o nosso projeto temático não só no Brasil, mas a nível mundial. Logo, vamos fazer da Unicamp um hub onde essas ideias vão circular, ajudando a entender melhor a migração dentro de uma dinâmica de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
O Instituto pretende enviar pesquisadores à Unicamp ainda em 2026, assim que os acordos estiverem formalizados. Composto por cerca de 1.200 pesquisadores, o IRD tem atuação em 43 países na África, na Ásia, na América Latina e no Caribe, com a proposta de trabalho em redes internacionais.
Além disso, participaram da reunião o chefe de Gabinete da Reitoria Osvaldir Taranto, a coordenadora para Cooperação Internacional Ludmila Pioli e a assessora docente Luana Mattos, ambas da Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri). (Unicamp)







