Dez anos após ser tombada como patrimônio histórico de Jaguariúna, a Estação Ferroviária do município passará por um amplo processo de revitalização. O projeto foi anunciado nesta semana pela Prefeitura e tem como objetivo valorizar um conjunto arquitetônico que completou 80 anos em 2025, e que anualmente recebe milhares de visitantes e passageiros do tradicional passeio turístico da Maria Fumaça.
As melhorias e restaurações foram consolidadas em um projeto executivo, que deverá passar pela análise do Ministério do Turismo e, posteriormente, entrar em processo de licitação. A obra está orçada em cerca de R$ 750 mil, recursos provenientes de emenda parlamentar do deputado federal Carlos Sampaio (PSD).
Tombada em 2016 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), a Estação Ferroviária de Jaguariúna é o único patrimônio histórico oficialmente tombado no município.

Projeto preserva integralmente o bem tombado
O projeto de revitalização prevê intervenções voltadas à conservação do conjunto ferroviário e à melhoria da infraestrutura oferecida ao público, sem descaracterização do patrimônio, frisam as autoridades.
Entre os serviços previstos estão a pintura das fachadas, preservando a cor original; reforma do forro e do telhado; revitalização do saguão principal; reforma completa dos banheiros; repintura das janelas e esquadrias; manutenção das plataformas, pisos, portas, vidros, locomotiva e do vagão expostos para visitação.
Arquiteto explica diretrizes do projeto
De acordo com o arquiteto e urbanista Paulo Fraga Silveira, um dos responsáveis pelo projeto, nenhuma alteração estrutural ou descaracterização será realizada no conjunto ferroviário, justamente por se tratar de um bem tombado.
“Pelo contrário, estamos retirando excessos de elementos visuais e respeitando integralmente as normas dos órgãos de preservação do patrimônio histórico”, afirma, citando o Conphaaj (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de Jaguariúna e do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico)”.
Além das intervenções estruturais, Fraga explica que o projeto também prevê a reorganização da linguagem visual dos equipamentos de som e iluminação, bem como a implantação de um novo projeto luminotécnico, com iluminações que valorizem a arquitetura do prédio.
O espaço em frente à locomotiva, atualmente sem uso definido, será revitalizado e integrado ao conjunto, assim como o jardim frontal. Um dos destaques do projeto é a criação de referências visuais à antiga linha férrea.

“No jardim localizado entre o prédio principal e a marquise metálica — que também será recuperada — será instalada uma representação da bitola ferroviária da época, com caráter educativo e de memória, além da implantação de sistemas de informação sobre a história da edificação e da ferrovia”, detalhou o arquiteto, que também é o atual presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de Jaguariúna (Conphaaj).
Expectativa é de aumento no fluxo turístico
A Prefeitura avalia que a revitalização deverá resultar em um aumento significativo no fluxo turístico, com crescimento estimado entre 20% e 35% no número de visitantes anuais.
A requalificação também deve fortalecer o comércio local, ampliar a realização de eventos culturais e valorizar o patrimônio histórico de Jaguariúna, que integra a Região Metropolitana de Campinas e o Circuito Turístico das Águas.

História e importância regional
Jaguariúna foi terminal do primeiro trecho da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, inaugurado em 1875 sob a denominação Viação Férrea Campinas–Jaguariúna, posteriormente estendido por um ramal até Amparo. A estação teve papel fundamental no escoamento da produção agrícola das férteis terras da região, influenciando diretamente a dinâmica econômica local.
O prédio atual foi inaugurado em 15 de dezembro de 1945 e apresenta características arquitetônicas neocoloniais que o destacam entre as demais estações da antiga linha férrea. O espaço abrigou por muitos anos o Museu Ferroviário, além de restaurantes e cafés.

Aos finais de semana, a estação é ponto de partida dos passeios turísticos da Maria-Fumaça até a estação de Anhumas, em Campinas, passando por estações históricas como Tanquinho e Carlos Gomes.
Com a revitalização anunciada, Jaguariúna reafirma seu compromisso com a preservação do patrimônio histórico e cultural, valorizando um espaço que há oito décadas integra a identidade e a memória da cidade.












