Os requerimentos apresentados pelo vereador Gustavo Petta (PCdoB) que solicitavam a convocação do secretário municipal de Saúde, Lair Zambon, e do presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, para prestar esclarecimentos sobre a crise enfrentada pela saúde pública em Campinas, foram rejeitados durante sessão ordinária da Câmara Municipal, na noite desta quarta-feira (12).
Os vereadores da base do governo do prefeito Dário Saadi impediram nesta sessão a aprovação dos requerimentos.
A Prefeitura de Campinas enviou nota ao Hora Campinas onde informa que “respeita a autonomia e as decisões do Poder Legislativo”.
Por esse motivo, “não irá comentar a deliberação da Câmara Municipal sobre o tema”. (veja ao final da matéria)
Petta afirmou que a sua iniciativa “buscava garantir que a Câmara Municipal exercesse seu papel constitucional de fiscalização diante do aumento das denúncias de falta de medicamentos nos Centros de Saúde, crescimento das filas para consultas, exames e cirurgias, problemas estruturais nas unidades e dificuldades no atendimento hospitalar, além da recente crise envolvendo o fechamento de leitos de UTI no Hospital Mário Gatti após a identificação de uma superbactéria”.
Para o vereador, a decisão da base governista representa um grave retrocesso para a transparência na gestão da saúde pública.
“Infelizmente, a base do governo escolheu blindar a administração municipal em vez de permitir que a Câmara cumpra sua função de fiscalizar. Quando vereadores impedem a convocação das autoridades responsáveis pela saúde, quem perde é a população que depende do SUS e precisa de respostas sobre a crise que estamos vivendo na cidade”, afirmou Gustavo Petta.
O parlamentar reafirmou que seguirá cobrando explicações e acompanhando a situação da saúde pública em Campinas, reforçando que a população tem o direito de saber o que está acontecendo com o atendimento na rede municipal de saúde e quais medidas estão sendo adotadas para resolver os problemas.
Posicionamento da Saúde
“A Prefeitura de Campinas respeita a autonomia e as decisões do Poder Legislativo e, por esse motivo, não irá comentar a deliberação da Câmara Municipal sobre o tema.
A Secretaria de Saúde reforça que a cidade mantém um dos maiores investimentos proporcionais em saúde entre os municípios brasileiros e tem ampliado continuamente a capacidade de atendimento da rede pública. Em 2025, foram aplicados R$ 2,28 bilhões na área, sendo 71,27% provenientes de recursos municipais. As despesas liquidadas somaram cerca de R$ 1,66 bilhão, o equivalente a 24,83% das receitas de impostos do município — percentual muito acima dos mínimos constitucionais de 15% e dos 17% previstos pela Lei Orgânica de Campinas.
Mesmo diante de uma demanda crescente pelo SUS, a rede municipal tem ampliado o atendimento. Em 2024 e 2025 foram registrados 9,5 milhões de atendimentos, passando de 4,33 milhões para 5,21 milhões em um ano — aumento de 20,3%. No mesmo período, foram registradas 4.940 queixas pelo telefone 156, o que corresponde a apenas 0,09% do total de atendimentos realizados.
Desde 2021, a Prefeitura inaugurou dez novas unidades de saúde, entre elas o Hospital Pediátrico Mário Gattinho, o Hospital da Mulher, o Centro de Referência de Diagnóstico em Oncologia e novos centros de saúde em diferentes regiões da cidade. No mesmo período, 89 unidades passaram por reformas de grande porte, além de ampliações em andamento. Também foram contratados 761 médicos e outros 1.796 profissionais de saúde para reforçar o atendimento.
A rede segue em expansão. Oito novas estruturas estão previstas ou em andamento, incluindo novos centros de saúde, CAPS, uma central municipal de esterilização e um centro de especialidades odontológicas. A Prefeitura também articulou e doou o terreno para a construção do Hospital Metropolitano, cujo edital de obras deve ser publicado pelo Governo do Estado no primeiro semestre deste ano.
A cidade ainda investe em inovação com a Saúde Digital, que já realizou mais de 2 milhões de interações, incluindo teleconsultas e qualificação de filas. O serviço tem alto índice de aprovação: nota média de 9,1 entre os usuários, tempo médio de atendimento de 17 minutos e 89% de recomendação.
Na área hospitalar, nenhum paciente que necessita de internação na Rede Mário Gatti fica sem assistência. As unidades operam em sistema de porta aberta e com alta rotatividade de leitos, com cerca de 30 altas e 30 novas internações por dia em cada hospital. O município ampliou a oferta total de leitos de 885 em 2021 para mais de mil atualmente, considerando estruturas próprias e conveniadas. Além disso, o Governo do Estado se comprometeu a disponibilizar até 100 novos leitos do SUS para Campinas na Casa de Saúde.
Campinas também é referência em urgência e emergência para a Região Metropolitana, recebendo historicamente entre 20% e 25% dos pacientes de outras cidades, índice que chega a 35% em unidades com leitos neonatais.”












