A Unicamp lança nesta segunda-feira (30) uma campanha permanente de conscientização sobre o enfrentamento dos diferentes tipos de assédio e formas de violência. Chamada de “Viver a Unicamp”, a campanha tem o objetivo de sensibilizar a comunidade universitária sobre condutas inadequadas em ambientes de trabalho, nas salas de aula e laboratórios, reafirmando o compromisso da instituição com a integridade em todas as atividades acadêmicas.
A ação pretende mostrar a importância de promover o combate às diversas formas de violência e incorporar boas práticas de convivência baseadas no diálogo e no respeito. Ela também divulga espaços e serviços dedicados à escuta e ao acolhimento de queixas e denúncias. “As relações humanas exigem a construção de interações mais afetuosas. Violência de qualquer forma não pode ser tolerada. Por isso, uma campanha como essa, que sinaliza para nós o caminho do afeto, do respeito ao outro e da diversidade, é de extrema importância”, disse o reitor Paulo Cesar Montagner.
O coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho, afirmou que uma campanha deste tipo ganha importância ainda maior por causa do atual momento político e social do país. Segundo ele, a Universidade deve sempre se alinhar às melhores “práticas cidadãs”, e por isso vai trabalhar para minimizar a violência em suas várias dimensões no ambiente universitário. “Trata-se de um compromisso de gestão”, acrescentou.
Segundo Coelho, a campanha usará desde o primeiro momento uma linguagem clara e acessível sobre os vários tipos de violência – assédio moral ou sexual, importunação sexual, racismo, etc. “O nosso objetivo é trabalhar em todas as direções, inclusive melhorando nossa infraestrutura de acolhimento e, mais do que isso, dar os encaminhamentos e respostas às várias situações que acontecem no dia a dia da Universidade”, afirmou. “Cabe a nós ficarmos atentos e sintonizados para que a campanha possa criar uma competência interna na Universidade e conscientizar a comunidade a respeito dos valores que a Universidade defende, que são os valores da democracia e do respeito à dignidade humana e à diversidade”, concluiu.
Um site, que estará disponível para acesso a partir desta segunda-feira, explicará conceitos como assédio moral, assédio sexual, importunação sexual, estupro e consentimento, detalhando em quais circunstâncias um episódio pode ser qualificado como manifestação de transfobia, capacitismo, etarismo ou xenofobia, por exemplo.
“Trata-se de uma campanha que pretende ouvir todas as vozes da Unicamp”, explicou o professor Márcio Cataia, da Secretaria Executiva de Comunicação (SEC) e coordenador do grupo de trabalho que elaborou a campanha. “A ideia fundamental é sensibilizar as pessoas. É pensar a Universidade sem violência, especialmente num momento como este que estamos vivendo, de tantas questões sociais candentes que nos remetem a este tipo de problema”, acrescentou o professor.
Acolhimento e denúncias
A campanha reservou um espaço exclusivo no site com os endereços para acolhimento de queixas e denúncias de violência e assédio. A página traz informações sobre o funcionamento da Divisão de Psicologia do Trabalho (DPsi), ligada à Diretoria Geral de Recursos Humanos (DGRH), responsável por acolher denúncias de assédio moral nos ambientes profissionais.
O site informa também sobre a Câmara de Mediação e Ações Colaborativas, uma instância que oferece à comunidade da Unicamp a possibilidade de diálogo e restauração das relações interpessoais.
Há, ainda, o Serviço de Atenção à Violência Sexual (Savs), que oferece acolhimento humanizado e escuta qualificada a pessoas da comunidade universitária envolvidas em situações de violência sexual. Já o Serviço de Acolhimento e Encaminhamento de Denúncias de Racismo (Saer) atende membros da comunidade universitária que se encontrem envolvidos em situações de injúria racial, racismo ou xenofobia.
A Secretaria de Vivência nos Campi (SVC) é responsável pela promoção do convívio seguro nos diferentes espaços da Universidade. Para solicitar apoio em situações nas quais usuários e usuárias sintam-se em risco nos campi, basta entrar em contato pelo telefone (19) 3521-6000. O atendimento da SVC funciona 24 horas por dia.
Há, ainda, canais institucionais como a Ouvidoria. Nas unidades de ensino e demais órgãos da Unicamp também existem Espaços de Acolhimento.
O usuário poderá ainda utilizar o aplicativo Pânico, disponível para download na Play Store e na App Store. O app fornece à comunidade da Unicamp a possibilidade de registrar ocorrências dentro da área de cobertura nos campi. Quando acionado em situações de emergência, ele envia à Central de Segurança da Unicamp as coordenadas de latitude e longitude registradas pelo celular.
Foram criados sete diferentes cartazes, cada um trazendo um aspecto da campanha. Um deles, por exemplo, promove o lema principal “Viver a Unicamp” e algum subtema, como por exemplo: “Sem violência de gêneros e sexualidade” e “Sem importunações e violências sexuais”. Os s cartazes, cujos desenhos foram feitos pela artista plástica Rafaela Repasch, mestranda no Instituto de Artes (IA), ficarão disponíveis para download. Cartazes físicos também serão distribuídos nos campi.
O grupo de trabalho responsável pela campanha incluiu 28 servidores – docentes e funcionários – e representantes de coletivos femininos, do Sindicato dos Servidores (STU), de órgãos ligados à saúde, segurança e recursos humanos e dos colégios técnicos. (Com informações da Unicamp)











