Um manobrista que trabalha num hotel de Campinas decidiu levar à frente seu projeto pessoal de escrita usando a estratégia do pseudônimo, recurso muito comum na literatura, sobretudo dos séculos 18 e 19. A iniciativa costuma ser usada para preservar a identidade e fugir de eventuais preconceitos. O autor, consultado pelo Hora Campinas, admite que usou o pseudônimo justamente por isso.
“A ideia de usar outro nome não é esconder quem eu sou, mas sim permitir que o livro seja lido pelo que ele realmente é, e não julgado por ter sido escrito por um simples manobrista”, pondera o autor, que também trabalha manobrando carros numa academia bastante conhecida na cidade. .
O e-book está na Amazon e pode ser comprado por R$ 6,99 neste link. O livro é intitulado “O lado obscuro do hotel”. O manobrista usa o pseudônimo de Thomas Helel.
“Meu objetivo não é enriquecer ou acumular dinheiro com isso. O que realmente quero é que as pessoas leiam, reflitam e se conectem com a história que coloquei ali com tanta verdade”, argumenta.
O livro retrata as agruras e percalços da vida de manobrista, muitas vezes desrespeitados e ignoradoes pelos proprietários dos veículos.
Um internauta comentou no link de vendas da Amazon. “Livro muito bom, me surpreendi com o autor e seus detalhes em prender a minha atenção. Uma realidade que todos deveriam ter alguma experiência para saber o que realmente se passa no dia-dia de um manobrista”, elogiou.
Sinopse
No balcão do estacionamento de um grande hotel, um manobrista carrega mais do que chaves de carros; ele carrega histórias que ninguém quer ouvir. David Menezes aprendeu cedo que alguns lugares não têm lado obscuro… eles são o lado obscuro.
Entre luxos que cegam e corredores que silenciam, ele presencia a face real de quem manda, de quem julga, de quem destrói reputações como quem troca um crachá. Mas o que mais o assombra não é o que ele vê acontecendo no prédio, e sim o que isso provoca nas pessoas que passam por ali… inclusive nele.
Quando um hotel criado para ser sinônimo de acolhimento se torna um labirinto onde a dignidade se perde, só resta uma pergunta:
Até onde alguém pode resistir antes de também desaparecer na própria história?
Este livro não entrega respostas fáceis. Ele entrega o incômodo. A dúvida. O nó na garganta. Porque às vezes, o que mais fere não é o grito… é tudo aquilo que é empurrado para o silêncio.
Prepare-se para enxergar além da fachada.
Se tiver coragem.
Veja trecho do livro
“Todo mundo, quando criança, tinha seu super-herói predileto, o que corria mais rápido, o que voava mais rápido… Na infância, eu queria ter o poder de ser invisível, de poder caminhar no meio da multidão sem ser notado. Desejo de criança, sonho de criança. Sufocado pelo tempo, pela rotina, pelo destino que nos espreme contra a realidade, você pisca e os anos se passam, sepultando sonhos, dilacerando planos. Hoje, o poder de ser invisível é real: entro e saio de carros sem ser notado, atendo pessoas que vêm de todos os lugares que não sabem meu nome, apenas minha ocupação, e sou chamado por ela. “Manobrista”. Manobrista terceirizado de hotel, para ser mais preciso.” As pessoas são tão cegas em seus próprios problemas que não veem que confiam a mim seu tão adorado bem material. Não sabem de onde eu vim nem para onde vou. Me veem, mas não me enxergam….











