A Polícia Civil indiciou Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, organizadora do evento de rope jump em que morreu Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto sem cordas, em Limeira.
Ela foi indiciada por homicídio qualificado por motivo torpe e fraude processual. Além disso, a polícia pediu à Justiça a conversão da prisão temporária em prisão preventiva, por tempo indeterminado.
A defesa de Evelyne informou que discorda do indiciamento.
Investigação aponta participação direta na organização
O segundo inquérito sobre o caso foi concluído na útima terça-feira (30) pela delegada Andréa Dantas Levy.
Em depoimento, Evelyne afirmou que exercia apenas funções administrativas, como atendimento aos participantes e divulgação do evento.
No entanto, segundo a investigação, ela tinha atuação direta na organização da atividade, participando da logística, do controle dos participantes, da manutenção das operações e da divulgação comercial do evento.
O relatório também aponta que não existiam protocolos formais de segurança, nem divisão clara de responsabilidades entre os integrantes da equipe, que eram contratados por evento.
No dia da tragédia, entre 90 e 100 pessoas estavam inscritas para participar dos saltos.
Polícia pede soltura de dois investigados
O inquérito deixou de indiciar, por falta de provas, João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, e Gabriel Barros Martins, de 30 anos, que estavam presos temporariamente desde o dia 20 de junho.
João Antonio foi preso por suspeita de desaparecer com a câmera corporal que gravou o salto da vítima, mas o inquérito concluiu que não há indícios suficientes de autoria. Em uma carta ele já havia negado a acusação.
No caso de Gabriel Barros, a investigação demonstrou que ele era um membro eventual da equipe e que, no momento do salto, não tinha como verificar se as cordas tinham sido colocadas.
Por esse motivo, a delegada pediu à Justiça a revogação das prisões dos dois investigados.
Agora, o relatório será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça.
Câmera corporal
A Polícia Civil também segue investigando o desaparecimento da câmera que estava acoplada ao corpo de Maria Eduarda durante o salto.
O equipamento, que poderia registrar toda a dinâmica do acidente, ainda não foi localizado.
Segundo o relatório, não há provas suficientes para responsabilizar qualquer investigado pelo sumiço da câmera.
Por outro lado, a investigação concluiu que Evelyne demonstrou preocupação com a recuperação do equipamento. Uma testemunha afirmou que ela chegou a mencionar a necessidade de apagar o vídeo gravado durante o salto, circunstância que fundamentou também o indiciamento por fraude processual.
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