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Chega a 94 o número de vítimas da tragédia em Petrópolis

Ministério Público recebeu 35 notificações de pessoas desaparecidas

Redação Por Redação
16 de fevereiro de 2022
em Geral
Tempo de leitura: 4 mins
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Chega a 94 o número de vítimas da tragédia em Petrópolis

Bombeiros, moradores e voluntários retiram vítima no local do deslizamento no Morro da Oficina. Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

O número de vítimas fatais da tragédia em Petrópolis, na região serrana do Rio, aumenta à medida em que avançam as buscas pelos pontos de deslizamentos. No início da noite desta quarta-feira (16), o total de mortes chegou a 94, sendo que pelo menos oito são crianças.

Há registro de 26 deslizamentos. São 372 pessoas desabrigadas e desalojadas. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), através do programa de localização e identificação de desaparecidos, já recebeu solicitações para localização de 35 pessoas.

Em meio a catástrofe causada pelas chuvas em Petrópolis,  moradores buscam, por conta própria, familiares desaparecidos. Ouvidos pela Agência Brasil, eles relataram que passaram a última madrugada com enxadas e até mesmo com as próprias mãos, buscando sobreviventes no meio dos escombros. Vinte e quatro pessoas foram resgatadas com vida.

“Estou procurando meu pai e minha mãe”, disse Danter Menezes que, desde às 3h da madrugada desta quarta-feira (16), está com o irmão, Simon Menezes, no local onde era a casa dos pais, no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra. “Tenho certeza que estão aqui, eles estavam na sala, os móveis todos estão aqui, achei os documentos deles”, contou.

A região foi uma das mais atingidas. Somente ali, de acordo com os moradores, mais de 50 casas vieram abaixo com os deslizamentos de terra. Danter não mora no local. Assim que soube da tragédia, tentou contato com os pais, mas não conseguiu falar com eles e foi imediatamente para lá.

Morro da Oficina após chuvas torrenciais que atingiram Petrópolis. Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

A casa do irmão, que fica na mesma área, também corre risco de desabamento. “Vou levar meu irmão, sobrinho e cunhada para minha casa. Eles moram naquela casa que está rachada e com risco de cair”, explicou Danter.

José Costa reside em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, e, assim que soube do desastre, foi para Petrópolis para ajudar o filho, Marcelo Castro, que teve a casa levada pelas chuvas. Eles também buscam por conta própria a esposa de Marcelo, que estava em casa quando ocorreu o deslizamento de terra.

Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

“Ele ligou para mim e eu vim porque numa hora dessas é difícil. Tentamos [escavar] beirando a casa, tirando o que tinha que tirar de barro”, relatou José.

Sozinho, Paulo Eckardt procura a mãe, Antonieta, 99 anos, que estava em casa quando tudo desabou. Ele tentou chegar ao local ontem, mas não conseguiu. “Ela está dentro do quarto, debaixo daquela barreira. Tem que esperar agora para tirar o corpo”, disse com muita tristeza. Ele morava com a mãe e não tem esperanças de que ela esteja viva. “O rapaz falou que [ela] está soterrada. Não tem como. Não tem chance [de alguém] estar vivo, é terra pura, sem chance, ainda mais com a idade que ela tem”.

Morro da Oficina, em Petrópolis, na região serrana fluminense. Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

Nesta quarta-feira (16), as ruas de Petrópolis estavam cobertas de lama. O terreno acidentado dos morros e a terra ainda muito molhada dificultam o trabalho de buscas. O Corpo de Bombeiros não dá conta de todo o trabalho. Ao menos 54 casas foram destruídas.

A população ajuda na procura de sobreviventes e por corpos. O trabalho é lento, pois as vítimas podem estar vivas em meio aos escombros, em espaços com ar. A escavação é feita devagar. Bombeiros contam que estão exaustos. Alguns estão em ação há dois dias, emendado jornadas de trabalho.

Com o tempo nublado, muitas pessoas estão também deixando as casas com medo de novas chuvas e deslizamentos. Muitos estão nas ruas com malas e bolsas. A comunicação na cidade foi prejudicada, faltam luz e internet em muitos locais. Como há muitos fios soltos nas ruas, para que não haja acidentes a energia foi desligada em algumas localidades.

Bairro Castelânea. Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

 

Vítimas

Até o momento, há a confirmação de 94 mortos em razão das enchentes e do mau tempo que castigaram Petrópolis, segundo a Defesa Civil Estadual. Os bombeiros seguem nos trabalhos de busca por desaparecidos, uma vez que vários deslizamentos de terra e alagamentos foram registrados na cidade.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio montaram forças-tarefas para ajudar na identificação de cadáveres e na busca por desaparecidos. Uma estrutura foi erguida ao lado do Posto Regional de Polícia Técnica Científica (PRPTC) de Petrópolis para preservar os corpos.

Morro da Oficina, Petrópolis, na região serrana fluminense. Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

O secretário estadual de Defesa Civil do Rio de Janeiro, Leandro Monteiro, pediu que as pessoas façam doações de água mineral aos quartéis dos bombeiros, para que possam ser entregues em Petrópolis.

Há ainda vários pontos que estão recebendo donativos, como a Câmara Municipal de Petrópolis, que está aceitando alimentos não perecíveis, água, roupas limpas para todas as idades, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, roupas íntimas e roupa de cama, entre outros.

 

Chuvas

Segundo a Defesa Civil municipal, “a passagem de uma frente fria pelo oceano, em conjunto com as instabilidades geradas pelo aquecimento diurno, mais a disponibilidade de umidade” foram as causas da chuva muito forte no primeiro distrito do município de Petrópolis no período entre a tarde e a noite de terça-feira (15).

As localidades onde ocorreram registros de maior gravidade, segundo a Secretaria de Defesa Civil de Petrópolis, são 24 de Maio, Morro da Oficina, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Rua Uruguai, Rua Washington Luiz, Coronel Veiga, Vila Militar, Vila Felipe, Avenida Portugal e Rua Honorato Pereira.

Um dos pontos de deslizamento. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Histórico de tragédias

A história da Região Serrana é marcada por episódios marcantes de tragédias envolvendo temporais. Em 1988, após dias ininterruptos de chuva, 134 pessoas morreram em deslizamentos de terra, desabamentos ou levadas pelas águas da enchente em Petrópolis. Centenas de moradores ficaram desabrigados.

Já em 2011, chuvas torrenciais que causaram enchentes e deslizamentos de terra que tiraram a vida de 918 pessoas. Além disso, 30 mil moradores ficaram desalojados. No episódio, que é considerado um dos maiores desastres socioambientais do país, o impacto foi maior nas cidades de Nova Friburgo e Teresópolis, mas Petrópolis também foi bastante castigada.

(Agência Brasil)

 

Bombeiros, moradores e voluntários trabalham no local do deslizamento no Morro da Oficina. Fotos: Tania Rêgo/Agência Brasil

 

 

Tags: ChuvasenchentesHora CampinasmortespetrópolisTemporaistragédia
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