Para reforçar a importância do diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama, o Anelo, organização que oferece aulas de música na periferia de Campinas (SP), lança neste sábado (18), em todas as suas plataformas digitais, a música inédita “Bonita Mulher”. O videoclipe conta com a participação de quatro mulheres inspiradoras e que têm ligação com o Instituto, sendo que duas superaram o câncer de mama e outras duas estão em tratamento. A ideia é mostrar a força das mulheres acometidas pela doença e que vida existe em meio ao tratamento.
Composta pelo músico Luccas Soares, fundador do Anelo, e interpretada por sete cantoras do Instituto, “Bonita Mulher” nasceu para exaltar a força e beleza de todas as mulheres, em especial, as mulheres que passaram ou estão passando por este momento tão desafiador, que é o câncer de mama, o tipo mais frequente de tumor em mulheres após o câncer de pele não melanoma.
“O resultado ficou lindo, muito acima das nossas expectativas. Fizemos tudo com a cara e a coragem, já que, infelizmente, não conseguimos patrocínio para este projeto, mas seguimos firmes, porque acreditamos nele”, afirma Elaine Oliveira, produtora da música e coordenadora no Anelo.
A produtora salienta que a organização pretende ainda alçar voos mais altos com a produção e inscrever o videoclipe em festivais, dentro e fora do Brasil. “Em 2023, por exemplo, o Anelo recebeu uma linda homenagem no festival “Tulipani di Seta Nera”, em Roma (Itália), com o clipe “Nosso Lugar”, vencedor na categoria Videoclipe. Uma obra que sem sombras de dúvida também vale a pena conferir em nosso canal no Youtube”, finaliza Elaine.
“A canção nasceu de forma intuitiva, orgânica, e logo me lembrei dessas mulheres inspiradoras”, conta Luccas, referindo-se às quatro protagonistas do clipe: a pedagoga Flávia Cristina dos Santos Pinheiro, de 47 anos, a futura assistente social Rosângela Aparecida dos Reis Lima, de 53 anos, a aposentada Kathy Ferrari Silveira Camargo, de 67 anos, e a professora universitária Keyla Ferrari Lopes, de 50 anos.

“Tudo passa”
A pedagoga Flávia Cristina dos Santos Pinheiro, auxiliar de coordenação do curso de Direito na Universidade Paulista (Unip), moradora do Jardim Florence, viu a semente do Anelo nascer na década de 90, e sentiu-se lisonjeada ao participar do projeto.
Em plena pandemia de Covid-19, no final de 2020, Flávia descobriu, após um autoexame da mama, que estava com câncer. O tratamento durou até outubro de 2021.
“Foi Deus que me alertou, porque descobri um linfonodo inflamado abaixo da axila e o ultrassom apontou para um nódulo na altura da aréola”, conta Flávia.
“Todo o apoio que recebi veio da minha família, amigos e da avalanche de afeto, carinho e amor que recebi depois que tornei público a doença para minha rede social. A ideia de compartilhar foi para que mais pessoas entendam o valor do autoexame e dos exames preventivos; eles salvam vidas!”.
“Permita-se descansar, chorar quando for preciso”
Todos os dias, a futura assistente social Rosângela Aparecida dos Reis Lima passava em frente ao Anelo para ir ao trabalho. Mas só foi conhecer realmente a instituição quando seu filho Carlos Eduardo, na época com 18 anos, entrou para aprender a tocar cavaquinho pelas mãos do professor Josimar Prince.
Em 2017, após um autoexame, Rosângela descobriu um nódulo na mama esquerda. Ficou preocupada porque só fazia quatro meses que tinha realizado seus exames periódicos. Procurou o médico que pediu que refizesse o ultrassom e a mamografia. Durante os exames, um mastologista foi chamado e disse que era preciso fazer uma biópsia.
“Ele me disse que precisava saber que tipo de câncer era e me passou seu nome e contato e, deixou agendado uma consulta. E foi assim que eu recebi o meu diagnóstico, dessa forma fria; fiquei sem chão.”
Foram sete sessões de quimioterapia vermelha e 21 da branca. Depois, a cirurgia de um quadrante e, em seguida, 52 sessões de radioterapia que foram feitas diariamente.

“Lindas, com dois peitos, um ou sem”
A aposentada do Tribunal de Justiça de Salto (SP) Kathy Ferrari Silveira Camargo conheceu o Anelo através do trabalho da irmã, a bailarina e intérprete de Libras Keyla Ferrari Lopes. As duas irmãs fazem tratamento de câncer; perderam a mãe e uma das irmãs, sendo que esta última faleceu recentemente. Kathy, a mais velha, foi diagnosticada com câncer de mama ocluso em 2010.
“Tirei um quadrante, fiz radioterapia e depois tomei durante um ano uma medicação que me fez engordar 25 quilos”, conta.
Por indicação médica, fez a retirada do útero e dos ovários, porque o seu câncer é hormonal. Em 2021, ao fazer um check-up, foi novamente diagnosticada com câncer na mesma mama, o mesmo tipo de câncer, o que a levou à quimioterapia, depois à mastectomia radical e ao tratamento medicamentoso.
“Existem mulheres que nunca vão tocar o sino da vitória”
A professora universitária Keyla Ferrari Lopes participou do clipe “Quando puder falar” do Anelo, há um ano, fazendo a interpretação da canção em Libras e dançando. “Sou encantada pelo trabalho do Instituto e é uma honra participar desse segundo clipe, principalmente porque ele está dando voz a nós mulheres que temos e que convivemos com a doença. No meu caso, eu convivo com ela.” Keyla fará a interpretação da canção em Libras. Seu primeiro diagnóstico de câncer de mama foi em 2017.
“Gostaria que a sociedade fosse mais sensível às mulheres que estão em tratamento paliativo e que nunca vão poder tocar o sino da vitória”, fala Keyla.
SERVIÇO
Clipe/música “Bonita Mulher”
Lançamento da música no Streaming: 18 de outubro
Lançamento do clipe no Youtube e redes sociais do Anelo: 21 de outubro






