Novidade alguma há em se dizer que nos dias do reinado momesco uma parte da população se permite aos excessos. Nada de novo, por igual, com as já esperadas consequências de tais excessos. Muitas delas trágicas e irreversíveis.
E bem esclareço desde já: nunca fui e nem serei o censor de quem gosta de “curtir a folia”; e muito menos colocar régua de costumes em quem quer que seja.
Desde que tudo fique estritamente entre adultos, sem um milímetro de prejuízo, ainda que potencial, a crianças e adolescentes.
Os pequenos cidadãos dotados de imensuráveis direitos.
No entanto, o que se vê bem presente nos últimos anos é a “dependência organizada” pelo narconegócio – impulsionando a cultura dos excessos, que não raras vezes deságua em comportamentos abusivos, dependência ou recaídas.
A principiar pela participação do Big Alcohol – na terra em que, apesar de potencialmente cancerígenas e associadas a violências interpessoais e no trânsito, as cervejas são anunciadas como se água mineral fosse.
Sem contar dos não menos preocupantes cigarros eletrônicos [“vapes”]: uma armadilha colorida e saborizada que Big Tobacco quer nos empurrar pulmão abaixo.
Tábua de salvação a uma indústria que, graças a exitosas políticas públicas, não consegue lucrar – tanto como gostaria! – com a desgraça de nossa gente.
Daí vem o lobby sanguinário pró-vape, tentando emplacar a mentira letal e tecnológica aos mais jovens e desinformados.
Agora, o que me surpreendeu no “self-service” das dependências foi a recentíssima apologia aos jogos de azar e aos cassinos na “palma da mão”.
Até mesmo por meio de samba-enredo de tradicional agremiação paulistana.
Rosas mal perfumadas e que não cabem nos imprescindíveis jardins da prevenção.
Guilherme Athayde Ribeiro Franco é Promotor de Justiça em Campinas/SP; Especialista em Dependência Química pela UNIAD/UNIFESP; Associado da APMP e da ABEAD







