A prefeitura de Campinas passou a cortar os eucaliptos no canteiro entre o início da Estrada da Rhodia e a rua Maria Tereza Dias da Silva, próximo à padaria Romana, em Barão Geraldo. Também passaram a ser alvo da ação as árvores que fazem o limite com a Fazenda Rio das Pedras.
Nosso distrito é sistematicamente desprezado pela prefeitura, isso é fato estrutural e histórico, não exclusivo da atual administração. Talvez o descaso tenha sido enfatizado nos últimos anos, especialmente com a sina que se abateu sobre nós, com cortes sistemáticos de árvores, algumas frondosas, saudáveis e que eram símbolos de Barão Geraldo. Cortes são muitos, plantios são inexistentes. Deveriam ter feito antecipadamente um plantio de reposição, mesmo que em regiões próximas ao desmatamento havido. O impacto ambiental seria menor, pois uma árvore demora anos para se constituir e apenas alguns minutos para ser morta.
A ação deste mês havia sido anunciada para ser realizada em vários sábados pela manhã, mas foi se estendendo para os dias do meio da semana também, aumentando o caos no trânsito da chegada dos condomínios da região de Betel e para o acesso à Unicamp.
As árvores estavam aparentemente saudáveis, mas, como das outras vezes, o argumento de possível queda ficou no discurso sem a devida comprovação de laudos que assim atestassem. Ao menos nada foi devida e amplamente publicado. A madeira retirada possui valor e aplicação. No entanto, a informação é de que foi indevidamente destinada à usina de compostagem.
Além disso, a ação das máquinas durante o corte abriram dois novos enormes buracos no asfalto, lembrando, mais uma vez que Barão Geraldo é duplamente campeão na cidade: o maior índice de buracos e o maior IPTU. Um deveria pagar pelo conserto do outro, mas isso sempre foi ilusão no distrito. Agora, com o corte dos eucaliptos, temos menos vegetação e mais dois buracos à espera do farofão.
Adilson Roberto Gonçalves é pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











