O abre-e-fecha de parques deu-se em função dos avisos de tempestades por estes dias. Uma medida importante e necessária, haja vista a queda de árvores que aconteceu no passado, vitimando pessoas, e o perigo que é o próprio acesso a áreas abertas quando chove fortemente. No entanto, a questão de fundo se mantém, pois pouco ou nada tem sido feito para coibir os efeitos das mudanças climáticas extremas. As medidas são sempre depois do estrago feito ou de forma paliativa, sem efeitos práticos.
No Centro de Convivência, semana passada, foi um escárnio à luz do dia. Árvores simbólicas daquele espaço foram sumariamente removidas e, em seu lugar, plantados fiapos de vegetação dizendo se tratar de espécimes já adultos. A população reclamou devidamente e vamos ver quais serão as medidas.
O correto seria, se as árvores realmente estavam doentes, condenadas ou ameaçando cair, que elas fossem substituídas por espécimes mais adequados, mas em desenvolvimento compatível. Afinal de contas, é para isso que serve um viveiro de mudas.
Biólogos e engenheiros agrônomos devem ser consultados para saber o que fazer nesses casos, incluindo a escolha de melhores espécies para o local, mas a motosserra trabalhou arduamente naquela manhã sem que os profissionais opinassem, pelo jeito. Sim, virá a prefeitura, com todos seus conhecidos argumentos, dizer que quem sabe da situação da cobertura arbórea é ela e que está agindo na melhor das intenções para o bem-estar da população, etc, etc, e blá blá blá.
Já disse e repito: o verde estampado sobre cédulas com efígies de presidentes norte-americanos é muito mais intenso e valorizado do que o da clorofila plantada em nossos parques e jardins.
A cobertura vegetal diminui o impacto das chuvas, mas, quando chove, cortam-se mais árvores. Dilema que não há ninguém que explique com argumentos lógicos, acreditando que haverá uma mágica para fazer sumir o aguaceiro.
A anunciada tomografia vegetal parece que ainda não está em uso e questiona-se seu alto custo para avaliar o estado de saúde das árvores. Orçamento para ações necessárias é um dos primeiros a ser cortado, pois há sempre outros compromissos mais importantes. A passividade da população tem prazo de validade: até a próxima enchente.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.







