A desconfiança dos fatos está diretamente relacionada com os processos eleitorais em curso, dentro e fora do país. O atentado a Donald Trump nos Estados Unidos é um deles.
Os idiotas de qualquer origem são nocivos. A colunista da Folha de S. Paulo, Mariliz Pereira Jorge, mostrou seu lado da questão, perguntando se a esquerda seria idiota ao acreditar em “teorias da conspiração”, escondendo sua preferência política, é claro. Em termos comportamentais, temos que entender que a dúvida é alimentada por fatos inexplicáveis.
Se a facada foi legítima, a presença de Adélio Bispo no mesmo clube de tiro que os filhos de Bolsonaro frequentavam, e ele ter sido filmado próximo a Carlos Bolsonaro poucos minutos antes do atentado podem ser apenas coincidência. Tanto no tiro quanto na facada, uma sucessão de falhas de segurança, discursos agressivos instigando a violência e o fácil acesso a armas e aos locais em que os políticos estavam, formaram o conjunto que culminou no sucesso da empreitada.
Outros articulistas da extrema direita também procuram se esconder ou ocultar suas ideologias. Assim, ou a coluna foi escrita pelo ChatGPT ou alguém invadiu o computador de Lygia Maria.
Bolsonarista explícita, voz da extrema direita, também ocupante de espaço na Folha de S. Paulo, vem agora criticar o machismo de um de seus candidatos à Prefeitura de São Paulo. Tamanha ironia ou hipocrisia, só faltou terminar o texto com ‘é verdade este bilete’.
Em Campinas, a tônica não é diferente, com prefeito ocultando seu viés de direita retrógrada, pois depende dos vereadores dessa linha. O meio ambiente é uma das vítimas da vez, em que pese os que ainda se sensibilizam e estão impactados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
A ampliação da malha urbana acelerou e não há mais como impedir novos empreendimentos imobiliários em áreas que deveriam ser de reserva ambiental no município. Pura especulação dos que não vão morar em tais loteamentos e prédios quando tudo estiver construído.
A motosserra também come solta com os pseudo-laudos de que árvores estão condenadas e devem ser cortadas. Laudos que não aparecem e, mesmo quando justos, árvores que nunca são repostas no local ou próximo ao corte.
Se são apenas especulativas outras ‘narrativas’ para os atentados, os fatos são explícitos quando a cor das ‘verdinhas’ fala mais alto do que o verde da vegetação.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











