A discussão acerca da regulamentação dos mototáxis revela que são muitos os interesses, sendo que a segurança e a mobilidade do usuário são os menos importantes. Isso está na pauta em São Paulo e em outras cidades e chegará aqui também. Contratos bilionários estão envolvidos, opções equivocadas pelo particular ao invés do público, total falta de fiscalização, não aderência a horários e ausência de plano viário adequado, e por aí vamos.
Uma cidade que é cinza em suas calçadas desarborizadas e irregulares que dificultam o deslocamento a pé, e que também é opaca em seu asfalto esfarelento e esburacado que se contrapõe aos trilhos de transporte mais barato, é também nebulosa nos contratos e dinheiros envolvidos nos deslocamentos do cidadão.
Em Campinas, os desafios são outros, mas a sina de metrópole em dificuldades é constante, mesmo que o IBGE aponte que as condições não são tão críticas como as da capital do estado. Uma oportunidade a ser bem aproveitada é o projeto de reformulação do espaço das antigas oficinas e pátio de manobras ferroviário, próximos à Estação Cultura, em que pode haver a valorização pedonal de interligação entre o centro da cidade e o bairro vizinho, ou seja, a Vila Industrial.
Também deve ser incluído no projeto o transporte multimodal, porém não podemos ignorar que grandes cidades no mundo estão proibindo o ingresso de veículos particulares na área central ou estão cobrando pedágio urbano para tanto.
Ficamos irritados com mais taxas, mas é medida inteligente para estimular o uso do transporte público, mas lá, no exterior, essa modalidade funciona, e usar um carro particular ou o ônibus é opção, pois se chaga aos mesmos lugares e com quase igual facilidade. Na verdade, o metrô é mais prático do que o carro, pois não é necessário gastar com estacionamento.
Como contraponto, em Campinas, no final dos anos 1980, quando o metrô na capital estava iniciando seu funcionamento, participei de audiências públicas (na verdade, reuniões com representantes da prefeitura) em que foi proposto um plano para escavar túneis por baixo do centro e começar a construção do metrô. Deram risada, disseram que a proposta era ridícula e hoje vemos que a cidade não possui planos de transporte urbano sobre trilhos, apenas com rodas.
Vamos acompanhar o quanto de risos marotos surgirão quando hoje propuserem alternativas mais ousadas para nossa cidade.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.







