Chegou dezembro. Mês de amor e de esperança. Véspera de um ano novo. Porém, mais que tudo, para todas as crianças, mês de Papai Noel. Para as crianças somente? NÃO!!! Também para os ainda vivos, adultos que ainda guardam na lembrança seus dias de infância. Hoje, já avançado nos 88 anos de vida, lembro-me dos nossos natais em casa. Acreditava em Papai Noel e na noite de natal nosso pai pendurava nossas meinhas nas beiradas das cadeiras da sala de jantar, onde havíamos comido o bolo de natal que mamãe havia feito e tomado guaraná e ficávamos acordados esperando Papai Noel chegar. Adormecendo, éramos levados para a cama, e pela manhã acordávamos e corríamos para a sala para ver se o bom velhinho deixara nossos presentes. Que alegria! Não somente nossa, mas também dos nossos pais.
No rádio ouvíamos as músicas de natal: “Amanhã ó criançada vem o bom Papai Noel, de sacola pendurada e brinquedos a granel, para o Zito um apito, para o Zéca uma peteca, uma bola prá brincar é que quer o Waldemar”. Ou ainda aquela de um significado mais profundo, que somente depois, adultos, captamos: “Anoiteceu, um sino gemeu e a gente ficou, feliz a rezar, Papai Noel, vê se você tem, a felicidade, prá você me dar.” E um complemento triste que somente com o passar dos anos entendemos. “Eu pensei que todo o mundo fosse filho de Papai Noel, com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem!”. Ou ainda, mais feliz, quando adolescentes o Jingle bells, na versão feliz em português; “Hoje a noite é bela, juntos eu e ela, vamos à capela, contentes a rezar. Ao soar o sino, sino pequenino, vai o Deus Menino, nos abençoar. Bate o sino pequenino, sino de Belém, já nasceu o Deus Menino para o nosso bem. Toca o sino alegre a cantar, abençoe Deus Menino este nosso lar”. E hoje entendemos a realidade dos problemas sociais que assim se expressava: “Deixei meu sapatinho, na janela do quintal, Papai Noel me trouxe, um presente de Natal. Papai Noel quem sabe os presentes que ele tem, seja rico seja pobre, o velhinho sempre vem!”.
Não se olvide outrossim a canção “White Christmas” imortalizada por Bing Crosby no filme (de 1954) do mesmo nome com a mensagem “May your days be merry and Bright and may all your Christmas be white”, na referencia ao Natal nevado.
Finalmente a Canção de Natal que tem sua versão em todas as línguas dos países cristãos e nas missões cristãs do mundo inteiro, poema de autoria do padre católico Joseph Mohr em 24 de dezembro de 1818, que pediu ao seu amigo e organista de sua igreja em Salzburgo (Áustria) Franz Gruber que compusesse a melodia, e que, na verdade, consubstancia o desejo de paz e esperança que nos traz o nascimento de JESUS, como se pode ver da versão em português, fiel à letra em alemão:
“NOITE FELIZ, NOITE FELIZ
OH SENHOR, DEUS DO AMOR
POBREZINHO NASCEU EM BELÉM
EIS NA LAPA JESUS NOSSO BEM
DORME EM PAZ OH JESUS,
DORME EM PAZ OH JESUS!
Que o nascimento de JESUS, a noite santa de SUA chegada e a presença de Papai Noel, que mais que lenda, diz de perto aos corações empedernidos possam, nestes tempos conturbados, servir de fanal e guia aos homens de hoje, iluminando-os em seus desígnios, e que as cantigas e canções de natal tragam ternura, amor e compreensão ao coração dos jovens, nesta época fria de civilização tecnológica que afasta a todos do conhecimento vivo e do contato pessoal indispensável à solidariedade humana.
Passado o Natal, o augúrio de um novo ano, com a canção de David Nasser e Francisco Alves:
“Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo,
Que tudo se realize, no ano que vai nascer,
Muito dinheiro no bolso, saúde prá dar e vender.
Para o solteiro, sorte no Amor, nenhuma esperança perdida,
Para o Casado nenhuma briga, paz e sossego na vida”
À pergunta ¨Você ainda acredita em Papai Noel” respondo “É CLARO QUE SIM”. Quem senão o bom velhinho nos traz de longínquas plagas, a presença física de filhos e netas.
Cantos e encantos , que a poesia entoada e muitas vezes apenas lembrada nos trás a alegria de ainda viver.
Vivamos a VIDA!!!
Agostinho Toffoli Tavolaro é advogado, ex-presidente da ACL – Academia Campinense de Letras (2006/2016).







