Com a queda do teto da Igreja da Ordem Primeira de São Francisco, conhecida como “igreja de ouro”, no centro histórico de Salvador, volta à discussão a preservação de nosso patrimônio histórico e arquitetônico.
Os conselhos municipais e estaduais seriam o fórum adequado para essa discussão e análise da melhor forma para preservar o patrimônio material e imaterial, mas há interesses alheios que contaminam os processos de tombamento de bens.
Em Campinas, a composição do Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas) está sendo renovada e esperemos que o trabalho célere, participativo e público e continue.
Ainda não tenho detalhamento de toda a legislação complexa que regula o assunto, mas a preservação não pode significar que o bem a ser tombado seja imaculado, intocável. Minha experiência por dois anos na Europa mostra que a maioria dos imóveis de séculos atrás são ocupados como moradia, comércio, com ocupação e fluxo de pessoa, não apenas como museus.
Há estudos para saber se é necessário ou importante o aspecto arquitetônico do imóvel ou o que ele representa quanto a seu interior, a fim de saber o quanto deve ser preservado. E os europeus possuem uma história de construções bem antigas.
Aqui, são poucas as preservações de locais de habitação dos povos originários, quase restrita aos sítios arqueológicos, em que revelam a ocupação pré-colombiana, ou seja, de mais de 500 anos atrás.
Bem patrimoniado não pode ser um espaço desocupado. Deve ser usado conforme suas características, até como habitação. Nem tudo será museu, repito, como vemos na Europa em que casas antiquíssimas são ocupadas, preservando-se a fachada e alguns elementos da construção.
Mas para isso, independente das vontades e da atuação cidadã, precisa haver um orçamento com gestão eficiente, o que parece um tanto ilusório quando se fala em cultura no país. Se cultuamos outras expressões, como o cinema que voltou a ter relevância, que saibamos promover a ‘cultura da cultura’ em todos os níveis.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.







