Todo ano é a mesma cena: dezembro chega e, de repente, a saúde entra em recesso. As pessoas se organizam para comprar presentes, planejam viagens, fazem listas de ceia, mas dificilmente colocam um check-up entre as prioridades. E sempre existe aquela frase clássica para justificar a fuga: “Ah, agora não vale a pena cuidar, vou comer besteira mesmo no fim de ano.”
Eu escuto isso há duas décadas. E, para ser sincero, já vi o preço que essa lógica cobra.
O problema não é a ceia, o panetone ou o churrasco do primo. O problema é transformar dezembro em um mês de “desculpa coletiva”, em que todo mundo aceita adiar o autocuidado, mesmo sabendo que janeiro chega igual para todos, com ou sem exageros.
O que muita gente não percebe é que é justamente nessa época, quando o ritmo afrouxa, que temos uma rara chance de olhar para nós mesmos sem a pressa do ano. É quando dá para marcar aquela consulta que ficou pendente por meses, fazer o exame que você adiou por medo, preguiça ou custo, ou até ajustar um tratamento que já deveria ter começado.
Tem gente que acredita que começar um cuidado no fim do ano “não faz sentido”. Mas faz, e muito.
Começar um tratamento quando a agenda desacelera aumenta a chance de aderência. Fazer exames em dezembro reduz a espera, porque a maioria deixa para janeiro. E ajustar hábitos agora, antes da virada, torna as metas de janeiro muito mais realistas.
Quando fundei a Clínica da Cidade, há mais de 20 anos, eu tinha uma certeza: se a saúde fosse mais simples e mais justa, as pessoas cuidariam mais de si o ano inteiro, inclusive em dezembro. E essa lógica se confirmou.
Nós percebemos que, quando o atendimento é rápido, previsível e cabe no bolso, o paciente não precisa escolher entre comprar presente e fazer exame. Ele consegue fazer os dois.
E sim, isso também mantém nosso negócio de pé. Não porque a pessoa consome, mas porque ela confia. A saúde acessível só funciona quando as pessoas deixam de ver o cuidado como algo “depois das festas” e passam a enxergar como parte da vida, inclusive nos meses mais cheios, mais festivos e mais caóticos.
A ceia passa. O presente passa. As festas passam.
Mas um diagnóstico precoce, uma consulta feita na hora certa ou um exame que evita um problema maior isso fica. E, como alguém que há duas décadas acompanha de perto a saúde das pessoas, posso afirmar: não existe pior investimento do que deixar o próprio corpo para depois.
Rafael Teixeira é CEO e fundador do Grupo Clínica da Cidade







