Quimera, “monstro mitológico caracterizado por possuir cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente” (www.dicio.com.br/quimera), ou seja, um ser híbrido, fantástico e impossível; referida expressão traduz-se como resultado da imaginação, sonho, devaneio, ilusão, enfim, o que tende a não se realizar. Insubstituível é a qualidade daquilo que é excepcional, incomparável e superior ou, de outra forma: raro, singular, único, inigualável, assim como nossas mães, que são insubstituíveis.
Portanto, uma quimera insubstituível é uma forma de expressão poética e repleta de camadas, podendo-se evocar imagens de sonhos únicos, impossíveis de recriar ou até mesmo ideias que carregamos dentro de nós, desde tempos idos, mas que nos remete a preciosidades inatingíveis.
Nossas “quimeras insubstituíveis” podem e devem ser utilizadas em nosso cotidiano como uma tentativa válida de valorizarmos os nossos sonhos, os nossos projetos e momentos singelos que tornam as nossas vidas especiais e singulares.
Podemos, destarte, valorizar a nossa autenticidade, encarando cada desafio e/ou oportunidade como um momento de criarmos algo ímpar em nosso trabalho, hobby ou, até mesmo, em nossos relacionamentos com outras pessoas; igualmente podemos cultivar os nossos sonhos próprios, permitindo-nos imaginar aquilo que nos parece inalcançável ou extraordinário, alavancando novas metas, obrigando-nos a refletir sobre o real significado de nossas ações e de nossas omissões; algo difícil hodiernamente, todavia pode ser ferramenta hábil a nos mostrar o insubstituível em outras pessoas, reconhecendo suas qualidades únicas, ajudando-as, inclusive, a enxergarem o seu especial valor; oportuniza-nos abraçarmos as imperfeições contidas nos pequenos detalhes, na medida em que a tendência do ser humano é de imaginar que, aquilo que imagina como real e correto, é a única e exclusiva forma de um mundo melhor e mais feliz para a coletividade, indistintamente. Será?
De fato, a poesia e a filosofia são ferramentas a nos possibilitar uma vida mais leve, mais altruísta, voltada às próprias realizações, contudo, mitigando, de certa maneira, o egoísmo sedimentado em nós. Nossos desejos e sonhos nos impulsionam, a partir de nós mesmos, a transformar a realidade ao nosso derredor; o que parecia inalcançável, como que, num passe de mágica, torna-se a mais pura realidade.
Quem nunca sentiu ou presenciou algo parecido? Trocaríamos essas “ilusões” por algo “real” ou pragmático? Certamente, as mais importantes aspirações humanas estão sediadas e centradas no verdadeiro e puro amor, no senso de justiça absoluta, na caridade, na compaixão, no perdão, enfim, na felicidade eterna.
Nossas quimeras insubstituíveis nos definem como humanos, na busca incessante por nossa felicidade. Por isso mesmo que a arte e a cultura (cinema, música, teatro, literatura, poesia etc.), a fé individual e o amor romântico nunca deixaram e deixarão de coexistir, mesmo que muitos desavisados (em verdade, “mal-amados”), tentem bani-los de nossos viver… Não se consegue esconder o Sol, por mais que se almeje a escuridão.
Afinal, não são as quimeras que nos tornam humanos? Somos utópicos? Quais são os nossos sonhos e as nossas fantasias? Como nos definimos? Saudações!
Armando Bergo Neto é Advogado e Ex-Procurador Geral da Câmara Municipal de Campinas







