A elevada taxa de jovens brasileiros que não estudam nem trabalham, que representa 24% das pessoas entre 18 e 24 anos, segundo relatório divulgado em setembro deste ano pela OCDE, segue como um dos maiores entraves ao desenvolvimento econômico do país. Diante desse quadro, programas capazes de conciliar formação escolar, prática profissional e estímulo financeiro se tornam instrumentos decisivos para a redução da evasão e para a qualificação da força de trabalho. Entre iniciativas já existentes, o BEEM – Bolsa Estágio Ensino Médio, do Governo do Estado de São Paulo, executado em parceria com o CIEE, vem se consolidando como uma política pública de impacto crescente.
Lançado em outubro de 2024 e implementado em janeiro de 2025, o programa já inseriu mais de 9,5 mil jovens do Ensino Médio Técnico no mercado de trabalho em todo o estado de São Paulo.
Os seus grandes diferenciais são o pagamento integral das bolsas-auxílio pelo Estado pelo período de seis meses, e o apoio operacional do CIEE, que assegura a conformidade jurídica dos contratos. Terminado o período de seis meses, a empresa pode decidir manter o vínculo, seja por meio do estágio formal ou efetivando o jovem como colaborador, o que cria um pipeline de talento qualificado e alinhado à cultura organizacional.
Com carga horária de até 4 horas diárias, totalizando em 20 horas semanais, e bolsas que podem chegar a R$ 851,46 mensais, o programa estimula uma rotina de estudos alinhada ao trabalho e aplicação dos ensinamentos teóricos na prática. Para as empresas, o programa reduz custos de recrutamento e oferece a oportunidade de formar jovens profissionais sem aumento de encargos trabalhistas. Instituições renomadas como Magalu, Samsung e Unilever já fazem usufruto do programa e planejam aumentar o leque de contratações para o próximo ano.
Para além de grandes empresas, a ampliação do BEEM passa, necessariamente, pelo engajamento das pequenas e médias empresas. Entre as empresas privadas já cadastradas no programa, 57% são micro e pequenas, 17% são médias e 26% são grandes. Apesar disso, quando olhamos o número de jovens contratados, as grandes seguem liderando. A adesão das PMEs é, portanto, não apenas desejável, mas estratégica para que o programa avance em escala e produza efeitos consistentes sobre a produtividade futura e a redução do contingente de jovens “nem-nem”.
Com o intuito de fortalecer a cultura de participação empresarial e reconhecer organizações comprometidas com a formação de jovens, o programa instituiu os selos Empresas BEEM, que certificam diferentes níveis de engajamento. O Selo Prata é concedido às empresas que tenham ao menos um estagiário concluinte cuja avaliação da empresa, realizada pelo próprio estudante, seja igual ou superior a nota 8 (oito). Já o Selo Ouro é destinado às empresas que atendam a esse critério e que, adicionalmente, tenham contratado pelo menos um egresso do BEEM, reforçando seu compromisso com a inserção profissional dos jovens.
Do ponto de vista econômico, a inclusão produtiva de jovens do Ensino Médio Técnico está diretamente associada à elevação do nível de qualificação da força de trabalho no médio prazo. Trata-se de um retorno social e econômico que se acumula ao longo do tempo, contribuindo para ganhos de produtividade estrutural.
A articulação entre governo, iniciativa privada e entidades especializadas demonstra que é possível criar um ciclo virtuoso de formação, inserção profissional e desenvolvimento social. À medida que mais empresas abrem vagas e mais estudantes ingressam, consolida-se um modelo sustentável de integração entre educação e mercado de trabalho, construindo uma política efetiva de promoção do protagonismo jovem e fortalecimento da economia paulista.
Bruno Melo é coordenador de Operações e Atendimento da Administração Pública do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE







