De um lado, temos a enorme preocupação com os jovens nem-nem, os que não estudam, não trabalham e nem estão procurando trabalho. Importantes reflexões sobre as diferentes estruturas educacionais têm sido feitas, com foco na formação de técnicos, ressaltando o que se chama de “difícil e lento triunfo da educação técnica”.
No entanto, há que se lembrar que o sistema de ensino técnico no Brasil foi expandido e consolidado por meio dos Institutos Federais nos governos petistas e que está em nova expansão no momento. Além de Campinas, temos a unidade de Hortolândia na região metropolitana.
A proposta é priorizar o ensino integrado, em que os jovens se formem com as habilidades profissionais necessárias para atender as demandas do mercado e também com forte formação humanística, científica e cultural. Pelos resultados alcançados, vê-se que a fórmula é de sucesso.
De outro lado, como lidar com o trabalho infantil que compete com a cidadania e a formação educacional? A proposta de alteração legal para voltar a permitir o trabalho remunerado de crianças carrega interesses alheios aos próprios jovens.
Comecei a trabalhar com 13 anos por necessidade e sobrevivência, como vendedor, sem nunca deixar de estudar. Fui exceção. A defesa que se faz agora para alterar a Constituição é que o trabalho adolescente seria apenas em condições seguras, quando elas não são garantidas nem para boa parte dos trabalhadores adultos.
A regularização aludida é uma falácia, pois, especialmente depois da reforma trabalhista de Michel Temer, a informalidade é regra, qualquer que seja o segmento populacional.
Deve-se, sim, investir na qualificação profissional de jovens, em melhores escolas para definir seu futuro profissional e no fortalecimento da proteção social para que não sejam impelidos ao trabalho devido à baixa renda familiar.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











