O governo federal estuda mudar os limites de velocidade das vias. Pelo que entendi, a proposta é de diminuir os limites de velocidade em áreas urbanas, hoje variando de 30 a 90 km/h. Quando Fernando Haddad foi prefeito da capital paulista, reduziu os limites das marginais com o argumento que essa medida levaria à diminuição de acidentes e mortes. A decisão foi baseada em evidências científica, mas fortemente criticada pelo principal candidato oponente e, com isso, Haddad perdeu a reeleição. A derrota não foi somente por essa medida, mas contribuiu a falácia de dizer que andar mais rápido era sinônimo de liberdade.
A pergunta que se faz é: queremos viver mais ou mais rápido?
Em Campinas, a prefeitura justifica certos limites baseados em engenharia de tráfego, mas é difícil entender por que a Theodureto de Almeida Camargo tem limite de 50 km/h, uma via larga com espaçoso canteiro central, e chega-se na Luiz Smânio com limite de 60 km/h, avenida com canteiro mínimo e faixas de rolamento mais estreitas.
Continuando a viagem, se seguir em direção ao Castelo, chega-se à Andrade Neves que volta aos 50 km/h, só que sem canteiro central e espaços apertados para passar dois veículos, especialmente nas pontes sobre a via férrea e antigo VLT que não foram alargadas. A confusão faz com que diminuamos e aceleremos indevidamente. O ideal é uma velocidade única, quer seja 50 ou 60 km/h.
Associado à incerteza dos limites oficiais, há o triste e criminoso comportamento dos motoristas.
Um é desacelerar quando se aproxima de radares ou controles policiais. O sobe e desce na velocidade causa a famosa lerdidão no trânsito, além de gastar muito mais os freios. Dirigir acima da velocidade permitida, especialmente em estradas, traz apenas riscos e pouco ganho.
Fiz as contas. Em um deslocamento de 50 km, até Jundiaí, por exemplo, em vez de manter o limite dos 100 km/h da Anhanguera, chegando até 120 km/h, o tempo da viagem passaria de 30 minutos para 25, ou seja, o risco de ser multado ou causar acidentes é por 5 minutos de ganho de tempo! E isso não acontece, pois o “ás no” volante vai diminuir para 80 km/h quando passar nos radares.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.







