O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, decidiu marcar para esta quinta-feira (18), a partir das 15h, de forma remota, a continuidade da 5ª reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consu), que foi interrompida duas vezes por manifestantes, na terça-feira (16). Na reunião, os conselheiros vão votar a aprovação da submissão, ao governo do Estado de São Paulo, da proposta de autarquização da área da saúde e a expansão acadêmica da Universidade
O reitor diz que é preciso terminar a sessão, iniciada na manhã de terça e interrompida cerca de 1h30 depois, quando a sala do Consu foi invadida por membros da comunidade estudantil, representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) e integrantes de movimentos sociais. A reunião foi retomada no período da tarde e, novamente, teve de ser suspensa por conta de um novo episódio de invasão.
Os servidores da saúde da Unicamp são contrários à autarquização e defendem um maior diálogo sobre o tema. A alegação é de que a medida vai precarizar as relações de trabalho, piorar a estrutura e comprometer o caráter público do atendimento, com riscos de privatização e terceirização. Como reação à proposta, os servidores paralisaram as atividades na segunda-feira (15) e, em assembleia nesta quarta, decidiram pela manutenção da greve, que deve durar até o dia 23. Segundo o STU, 30% dos servidores aderiram ao movimento. A Unicamp garante que o serviço de saúde não foi afetado.
“Decidimos retomar a reunião como uma forma de preservar a institucionalidade da Universidade”, disse o reitor. “E para que essa institucionalidade seja mantida, é necessário que retomemos essa reunião”, acrescentou.
Montagner explica a decisão por fazer uma reunião on-line. “Diante das condições dadas, quando as salas foram invadidas por duas vezes, fomos obrigados a fazer uma reunião remota, até mesmo para garantir a segurança das pessoas”, explicou.
Apoio
O projeto proposto pela Unicamp recebeu apoio de seis ex-diretores da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Em carta dirigida à congregação e ao Conselho Universitário, os ex-dirigentes reconhecem que a FCM dispõe de um complexo hospitalar qualificado, porém ainda insuficiente para atender plenamente às demandas da população da região.
“Nesse contexto, a possibilidade de transformação do complexo hospitalar da Unicamp em autarquia configura uma oportunidade singular, que não deve ser desperdiçada”, recomendam.
“Trata-se, antes, do caminho institucional que, atualmente, permite projetar o crescimento necessário da área da saúde e, paralelamente, ampliar a capacidade de desenvolvimento da própria Unicamp enquanto universidade pública de referência”.
O projeto propõe a transformação da área da Saúde, que hoje integra a estrutura administrativa e orçamentária da Unicamp, em uma nova autarquia – que seria chamada de Complexo de Saúde da Unicamp.
Pela proposta, a autarquia passaria a ser vinculada à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para fins administrativos e orçamentários, semelhante aos modelos já consolidados nas Faculdades de Medicina da USP e da Unesp (Botucatu). (Com Unicamp)
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