Projeto para adoção e implantação de microflorestas urbanas em Campinas foi apresentado pela Prefeitura em evento na tarde desta quarta-feira (26). A iniciativa faz parte do plano para combate às mudanças climáticas na cidade e busca proporcionar mais sombra, melhorar a qualidade do ar, diminuir a temperatura em ilhas de calor, além de servir de abrigo à pequena fauna urbana. O projeto, tanto no plantio nas áreas, quanto no acompanhamento do programa de adoção, será de gestão da Secretaria de Serviços Públicos. As áreas terão placas de identificação.
O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella explicou que a implantação da primeira microfloresta deve ter início em cerca de 10 dias, no Balão do Laranja, no Jardim Novo Campos Elíseos, na avenida Presidente Juscelino.
Um projeto de lei com os detalhes da implantação e adoção das microflorestas será enviado à Câmara Municipal de Campinas. A Prefeitura, contudo, já pode iniciar o plantio nas áreas que receberão as microflorestas. A necessidade de uma lei, conforme a administração municipal, neste caso, é para o programa de adoção.
Microflorestas urbanas são aglomerados de árvores, com distanciamento de aproximadamente um metro entre elas. O secretário Paulella detalhou que a meta é implantar 200 microflorestas na cidade, em áreas de tamanhos de 200, 300, 400 até 1.000 metros quadrados. “Serão utilizados espaços pequenos, como praças, rotatórias ou locais isolados em parques públicos. As árvores para compor as microflorestas poderão vir do Viveiro Municipal Otávio Tisseli Filho ou por meio de doações e/ou compensações ambientais”, disse.
As mudas a serem plantadas devem ser selecionadas criteriosamente. Conforme Paulella, serão utilizadas espécies como peroba-rosa; jequitibá; pau-brasil; jatobá; guarantã; pau-óleo; ipês rosa, roxo, branco e amarelo; paineiras; quaresmeira; entre outras. Países como Holanda, Austrália e França já adotam as microflorestas urbanas.
Em Campinas, serão priorizadas as regiões com risco de onda de calor nos distritos do Campo Grande, Ouro Verde, Nova Aparecida, Barão Geraldo, Sousas e Joaquim Egídio e regiões dos bairros como Vila Costa e Silva, Vila Miguel Vicente Cury e Jardim Santa Mônica. O estudo que mapeou essas áreas foi feito pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Segundo o prefeito de Campinas, Dário Saadi, o projeto das microflorestas vem para potencializar o plantio de árvores na cidade. “Em outros países é uma experiência de sucesso. A aglomeração de árvores permite mais árvores em espaço menor e, com isso, a cidade aumenta a capacidade de combater as ilhas de calor. Os espaços urbanos serão otimizados, dentro de regras, respeitando as normas existentes de arborização urbana. A arborização tradicional vai continuar a ser feita e agora vamos agregar este novo formato, das microflorestas”, disse o prefeito.
“O que se propõe com este projeto é uma nova biologia da paisagem urbana. A importância das microflorestas é ampliar o sombreamento, que pode diminuir de até três graus onde são implantadas e contribuir para combater as ondas de calor; servir de refúgio para a pequena fauna urbana, oferecendo abrigo, alimento e possibilidade de reprodução dos animais; filtrar o ar; valorizar o meio urbano; captação do gás carbônico e do metano, que é mais agressivo”, explicou o secretário de Serviços Públicos.

Programa de Adoção de Microflorestas Urbanas (Pamu)
O projeto de lei também inclui a criação do Programa de Adoção de Microflorestas Urbanas (Pamu). Podem participar do Pamu pessoas jurídicas como entidades da sociedade civil, associações de moradores, sociedades de amigos de bairro e pessoas jurídicas legalmente constituídas e cadastradas no município.
A adoção de microfloresta urbana pode ser destinada à implantação da microfloresta urbana e à conservação e manutenção de microfloresta urbana já implantada. “É importante para empresas associar o nome a iniciativas como esta. Todos os segmentos podem aderir, seguindo as especificações técnicas, avaliadas pela Secretaria de Serviços Públicos”, completou o prefeito, Dário Saadi.
A iniciativa contribui com três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU): cidades e comunidades sustentáveis; ação contra a mudança global do clima; e vida terrestre.
Coletivo SOS Piçarrão
O SOS Piçarrão disse ver com otimismo o anúncio do projeto de microflorestas mas questionou alguns pontos do programa. “De forma geral a reconstituição do verde é sempre bem-vinda, porém acreditamos que alguns pontos precisam ser esclarecidos”, disse coletivo.
Entre as ponderações, o grupo questiona o local escolhido para início do projeto, o Balão do Laranja. “É importante arborizar todos os espaços sem dúvidas, mas porque usar um espaço pequeno com tantas outras áreas possíveis? O local tem alto fluxo de veículos, fiação, e provavelmente com o tempo necessitará de podas e até cortes. Será que se ocorrer um acidente não necessitará fazer intervenções abruptas?” .
O SOS Piçarrão disse ainda que Campinas tem muitas praças espalhadas pela cidade, “praças amplas sem fiação elétrica, onde as árvores poderiam crescer livremente e ainda em quantidade bem maior”. Outro ponto destacado foi sobre como será feita a manutenção das microflorestas. “O projeto contempla espaços municipais/estaduais como escolas, onde sofreu-se muito com o calor? Essas áreas serão consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP)?”, foram outras dúvidas detalhadas pelo grupo.
“Apesar do otimismo, entendemos que a sociedade civil precisa ser ouvida, e que o projeto em si pode ser muito melhor”, destacou o coletivo.







