Campinas registrou 100 focos de incêndios durante os primeiros 13 dias da Operação Estiagem. Os dados são de imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Durante os quatro meses da Operação no ano passado – entre maio e setembro – foram registrados 191 focos pelo mesmo sistema. Na comparação entre 2023 e o balanço parcial de 2024 a cidade teve, em menos de uma quinzena, metade dos registros de todo o período do ano passado.
Outro dado preocupante mostra que em maio de 2023 a Defesa Civil emitiu dois boletins de baixa Umidade Relativa do Ar (URA), ambos de Estado de Atenção. Já nos 13 primeiros dias da edição da Operação deste ano foram emitidos seis boletins, sendo um de Estado de Emergência (quando a URA fica abaixo de 12%) e cinco de Estado de Atenção (quando fica abaixo de 30%). A maior temperatura registrada na Operação deste ano, até o momento, foi de 34,3° centígrados, no dia 4 de maio.
Conforme o coordenador regional e diretor do Departamento de Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, a grande preocupação do município está relacionada ao aumento dos índices de incêndio. “Isso é preocupante porque nos primeiros 13 dias da operação já registramos mais de 50% do índice de toda a operação do ano passado”, destacou Furtado durante a apresentação do balanço parcial nesta segunda-feira (20).
Para o diretor, o fator determinante no aumento dos índices de queimadas são as ondas de calor. “Num período em que deveríamos estar registrando baixas temperaturas, os índices têm ultrapassado 30°, isso tem reflexo direto no aumento dos focos de incêndio”, colocou.
Durante a reunião de ontem manhã foram sincronizadas as ações de diversos órgãos que compõem o comitê intersetorial, com o intuito de aprimorar a Operação Estiagem em relação ao controle e ao enfrentamento da estiagem, que tem reflexo direto na questão da saúde pública.
Entre as novidades apresentadas para esta edição estão a contratação de brigadistas para a Mata de Santa Genebra e a ampliação das equipes do Corpo de Bombeiros que irá manter, diariamente, um caminhão da corporação nas Áreas de Proteção Ambiental (APA) do Campo Grande e de Sousas/Joaquim Egídio.
A secretaria de Serviços Públicos disponibilizou máquinas e equipamentos – trator e escavadeira – para apoiar o Corpo de Bombeiros na preparação de aceiros e combate a incêndios. Há também a intensificação das notificações dos incêndios registrados pela equipe de fiscalização da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) e da Coordenadoria de Fiscalização de Vielas e Terrenos (Cofivt/Serviços Públicos).

“Além disso, houve a admissão de novos agentes de Defesa Civil, via concurso público, que já passaram por treinamento com o Corpo de Bombeiros. Com isso, vamos conseguir manter, todos os dias, nosso pessoal para dar apoio ao Corpo de Bombeiros”, contou Furtado.
Outra novidade para a Operação Estiagem 2024, é o lançamento de um checklist pela Seclimas. O documento é aplicado em campo, durante a vistoria dos focos de incêndio registrados, para identificar se o incêndio foi intencional, se houve negligência ou alguma imperícia.
Os fiscais checam se o local tem aceiro para prevenir a passagem do fogo para área de vegetação; se tem lixo depositado irregularmente; se o mato está alto ou baixo; se o acesso de estranhos é impedido por muro ou cerca.
“Esses critérios vão dizer pra gente se houve negligência por parte do proprietário ou não. Se for constatado que a área estava cuidada, não haverá multa. O auto de infração só é expedido quando houve intencionalidade ou negligência”, explicou a coordenadora de Fiscalização Ambiental da Seclimas, Heloísa Fava Fagundes.
De acordo com ela, Campinas tem uma lei municipal que proíbe queimadas. Com base nessa legislação, é proibido o uso do fogo em Campinas, quando isso ocorre o município aplica as penalidades. “São penalidades de multa e, dependendo da extensão, também é feito o termo do ajustamento de conduta para a reparação do dano ambiental causado”, contou.







