Depois de transformar ruas da cidade de São Paulo em espaços de sensibilidade e inclusão, o projeto Graffiti Pra Cego Ver inicia um novo capítulo. A iniciativa, que leva a arte urbana para além da visão, chega a Campinas. Nesta segunda-feira (25), será instalado no Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores (ICCT) o painel de autoria do artista Gustavo Dimg. O ICCT fica na Avenida Washington Luiz, 570.
O projeto convida o público a experimentar a obra pelo tato, audição e imaginação. A proposta é tornar a arte urbana acessível a pessoas com deficiência visual por meio de variadas texturas, inscrições em Braille e QR codes com áudios descritivos. “Mais que uma adaptação, trata-se de uma vivência artística completa, no qual o toque e a escuta ganham protagonismo e permitem a todos explorar os sentidos para “ver” uma obra artística de outra forma”, enfatizam os incentivadores do projeto.
Responsável pela criação do painel no ICCT, Dimg se dedica ao grafite e hoje mergulha em pesquisas sobre a presença e a expressão do corpo negro na sociedade. Em seu trabalho mais recente, a capoeira aparece como elemento central, trazendo a energia, a ancestralidade e a resistência dessa manifestação cultural para o muro.
O artista carrega uma história que dialoga profundamente com o projeto. Deficiente visual, ele descreve a experiência de criar uma obra pensada para ser tocada e sentida como algo transformador. “É olhar para uma ótica que nem eu mesmo, que sou deficiente visual, tinha experimentado. Esse projeto ultrapassa o limite do grafite como comunicação visual e chega a uma outra linguagem”, reflete.
Assim como nas edições anteriores, o painel permite que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso integral à experiência. A proposta, porém, não se limita à adaptação: “o convite é para que todos explorem a arte tocando, escutando e se conectando de um jeito novo”, salientam os idealizadores.






