Um levantamento realizado pelos Cartórios de Registro Civil do estado de São Paulo aponta que 237 crianças e adolescentes de até 17 anos ficam órfãos de pelo menos um de seus pais por ano em Campinas.
Os dados, pela primeira vez consolidados em nível estadual, mostram ainda que, em 2021, a Covid-19 foi responsável por ao menos um terço da orfandade no município.
No pior ano da pandemia, 88 crianças perderam seus pais por conta da doença em um total de 257 órfãos.
O levantamento abrange o período de 2021 a 2024, quando foi possível realizar o cruzamento dos dados dos CPFs dos pais existentes nos registros de óbitos com o registro de nascimento de seus filhos, possibilitando averiguar com exatidão o número de órfãos no País ano a ano.
Até a metade de 2019 não havia a obrigatoriedade de inclusão do CPF dos pais no registro de nascimento, inviabilizando uma correlação exata entre ambos os registros, número que ficou consolidado a partir de 2021.
Segundo os dados consolidados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-SP), além dos 257 órfãos contabilizados em 2021, o ano seguinte registrou 198 crianças que perderam ao menos um dos pais, enquanto 2023 registrou um aumento para 243 órfãos e, até outubro de 2024, o número já totaliza 250, o que supera o recorde do ano passado neste período.

Fenômeno da Covid-19
Os dados consolidados do levantamento dos Cartórios de Registro Civil apontam que a Covid-19 deixou, desde 2019, um total de 110 crianças órfãos de pelo menos um de seus pais em Campinas.
Se forem consideradas doenças correlacionadas ao coronavírus no período, como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – 7; Insuficiência Respiratória – 47; e Causas Indeterminadas – 4, o número pode chegar a ao menos 168 crianças órfãs por causa de doenças relacionadas à Covid desde 2019.
Ainda segundo o estudo, ao menos quatro crianças perderam os dois pais em razão da doença causada pelo novo coronavírus.
O levantamento ainda aponta reflexo no aumento do número de órfãos em razão do falecimento de seus pais em doenças como Infarto, AVC, Sepse e Pneumonia, que estiveram relacionadas com a pandemia nos últimos anos.







