O Carnaval sempre foi uma festa de grande significado para os moradores de Jaguariúna. Um resgate histórico feito pelo coordenador da Casa da Memória Padre Gomes, professor Tomaz de Aquino Pires, revela que desde a década de 1930 os festejos carnavalescos já animavam a cidade, promovendo a união entre as famílias e fortalecendo os laços comunitários.
Naquela época, em qualquer cidade, os carnavais de rua e de salão eram organizados com grande entusiasmo pela juventude local, contando com músicos talentosos e foliões empolgados.
Dos arquivos fotográficos da Casa da Memória, imagens que até hoje mexem com os mais antigos. Lembra Tomaz de Aquino que em 1936 a cidade testemunhou um corso memorável na Rua Alfredo Engler. Naquele ano, cordões carnavalescos desfilavam com senhorinhas elegantemente vestidas a bordo de dois automóveis Ford 1929.

Um deles, pertencente ao comerciante sírio Gabriel Sayad, foi conduzido por Odone Mantovani e transportava as integrantes do cordão Paulistinha, entre elas Lavínia Mantovani, Julieta Bergamasco, Zenaide Frachetta e Anna Novaes. Nomes que marcaram os anos de carnaval de rua na pequena cidade.
O outro veículo, dirigido pelo comerciante italiano Raul Finazzi, lembra o professor, trazia um bloco fantasiado de amor-perfeito, composto por Amélia Finazzi, Otacília Pires, Carmela Chiavegato e Tarsila Ferrari.
“Os carnavais da década de 1930 eram marcados por momentos de pura alegria e tradição. O lança-perfume perfumava o ar, confetes e serpentinas coloriam as ruas, enquanto as modinhas populares embalavam os corações dos foliões. Canções como “Oh! Jardineira” e “Me Dá um Dinheiro Aí” ecoavam pelas ruas e bailes, reforçando o espírito festivo da época”, retrata o professor.

Com o passar dos anos, o Carnaval jaguariunense se modernizou. Na década de 1960, os festejos passaram a ser realizados na “Sociedade Amigos de Jaguariúna”, localizada na esquina da Rua Alfredo Engler com a Rua Cel. Amâncio Bueno. Os bailes carnavalescos eram organizados com esmero, garantindo segurança e um ambiente familiar, consolidando-se como um dos principais eventos sociais da cidade.
Na década de 1970, os carnavais de rua ressurgiram com força, trazendo blocos organizados e os primeiros desfiles inspirados nas tradicionais Escolas de Samba. Em 1968, a “Sociedade Amigos de Jaguariúna” se fundiu com a “União Esportiva Jaguariunense”, dando origem ao “Jaguar Tênis Clube”. Na década de 1980, a velha sede social do centro foi desativada, sendo substituída por um novo e moderno ginásio de esportes.

O Carnaval de rua se expandiu e se tornou um grande espetáculo. Os desfiles na Rua Cândido Bueno passaram a contar com a presença de imponentes carros alegóricos, destacando-se as Escolas de Samba Santa Cruz e Onça Preta. O brilho, a animação e a grandiosidade dos desfiles atraíam um grande público, tornando-se um dos eventos mais aguardados do ano.
Nos anos 1990, com o crescimento da cidade e o aumento da população, novos espaços passaram a sediar os bailes carnavalescos. No entanto, o ambiente romântico e tradicional dos carnavais de salão começou a perder espaço. Até 2012 a festa era realizada ao ar livre, na Avenida Marginal, entre o Centro Cultural e a rodoviária. O evento atrai multidões com a presença de cantores renomados e blocos animados, mantendo viva a tradição carnavalesca de Jaguariúna.
“O tempo passa, os costumes mudam, mas o espírito do Carnaval permanece. Entre recordações nostálgicas e novas manifestações culturais, a festa continua a encantar gerações e a escrever novos capítulos na história de Jaguariúna”, finaliza o professor.







