Pouco mais de um mês ausente das redes sociais e sem comunicação com clientes e fornecedores após um calote estimado em R$ 800 mil em formaturas, festas de casamento e aniversários, a cerimonialista Fernanda Cecon, de Jaguariúna, voltou a garantir, através de mensagens, que irá reaver os valores devidos.
Até o momento, segundo clientes e fornecedores consultados pelo Hora Campinas, nenhum centavo foi depositado pela profissional. Ao menos três processos por danos morais e indenização por prejuízos financeiros correm na Justiça de Jaguariúna e Pedreira.
Em uma mensagem a qual a reportagem teve acesso, a cerimonialista justifica que tentou “incansavelmente mudar essa situação, (mas) que após a divulgação na mídia, foi irreversível”, escreveu a uma das clientes.
“Todos os pagamentos, contratos e entradas financeiras que eu tinha para saldar minhas obrigações foram canceladas, sendo impossível eu cumprir com minhas responsabilidades”, escreve em outro trecho da mensagem, disparada na primeira semana de janeiro.
Cecon chegou a culpar a economia do país, “e os valores que aumentaram de forma assustadora relacionado aos nossos fornecedores”. Escreveu, ainda, que está se alimentando com ajuda de familiares.
O CASO
A cerimonialista deixou de pagar dezenas de fornecedores, mas nos grupos de formandos seguia oferecendo mais itens para as festas.
O caso veio à tona no dia 7 de janeiro, às vésperas de uma formatura de colégio em Jaguariúna. Famílias de 20 alunos descobriram que fornecedores não haviam sido pagos e que o prejuízo estimado passava de R$ 60 mil.
Formandos de outros três colégios que haviam contratado os serviços de Fernanda foram descobrindo que seus fornecedores também não haviam sido pagos. Bingo solidário, pix beneficente, doações de produtos e outros pedidos de ajuda invadiram as redes sociais.
Na época, Fernanda deixou Jaguariúna com medo de represálias, e por meio de um advogado, justificou que venderia imóveis da família para cobrir as dívidas. O escritório de advocacia de Campinas informou ao Hora Campinas essa semana que não advoga mais no caso da cerimonialista.
Fernanda reativou seu perfil no Instagram, o qual havia deletado em dezembro, e se autodenominou como “Assessora de Eventos”. Através dessa conta, a reportagem entrou em contato com a profissional, mas não obteve retorno até a publicação dessa matéria.
SEM ESPERANÇAS
Aira Lilázia, de 23 anos, e Eder Henrique, 24, de Artur Nogueira, estão a menos de três meses do casamento e contrataram os serviços da cerimonialista em janeiro de 2024.
Eles já desembolsaram cerca de R$ 21 mil e hoje tentam minimizar o prejuízo após descobrirem que parte dos fornecedores sequer foram pagos.
“Minha vida virou de cabeça para baixo. Nas horas vagas que eu tenho é para pesquisar coisas para o casamento, tentar organizar a lista, reduzir convidados e além disso pagar tudo de novo”, relatou Aira.
O casal recebeu a mensagem encaminhada pela cerimonialista, no começo de janeiro desse ano, mas não espera reaver o valor gasto.
“Eu ainda tinha esperança de recuperar esse dinheiro e conseguir fechar algumas coisas que estão faltando para o casamento. Porém, percebi que a chance de receber esse valor de volta é quase inexistente”.
Confira abaixo, a mensagem na integra emitida pela cerimonialista Fernanda Cecon:
“Quero que saibam que, por mais que não acreditem nesse momento, não tive a intenção de causar essa situação. Desde o ocorrido, acreditem, tentei incansavelmente mudar essa situação, que, após a divulgação na mídia, foi irreversível. Todos os pagamentos, contratos e entradas financeiras que eu tinha para saldar minhas obrigações foram cancelados, sendo impossível eu cumprir com minhas responsabilidades. Tentei de inúmeras outras formas, mas não consegui, busquei ajuda, empréstimos, sem sucesso, estamos nos alimentando com ajuda de familiares para terem ideia de qual ponto chegamos. Sei que não existe desculpas e nem nada que justifique o que isso causa para vcs e estou extremamente triste e envergonhada e, acreditem, o preço de tudo isso para mim também é extremamente alto, perdi 12 anos de trabalho, o convívio com minha família, o respeito da minha cidade, fora, o pior, a dor e vergonha de não poder honrar com a confiança de vcs, isso não tem nada que faça passar, é irreversível. Eu jamais agi de má fé com vcs, ou quis aplicar golpe, nunca, infelizmente foram uma série de problemas administrativos da minha empresa que nos trouxe aqui. Mas apesar de tudo, vamos reaver financeiramente vcs de tudo, é o mínimo. Vamos mantendo contanto, estou correndo aqui para tentar resolver tudo isso o mais rápido possível, e não sumi, apenas precisei me ausentar um tempo, pois estava insustentável a situação, mas manteremos contato até resolver tudo”.







