O campineiro Lucas Daniel dos Santos, de 32 anos, morreu em combate na guerra da Ucrânia nesta segunda-feira (24). Ele trabalhava como vendedor de carros em Campinas e deixou esposa e dois filhos. Lucas havia viajado ao Leste Europeu para atuar como voluntário na linha de frente. Agora, os familiares tentam levantar recursos para trazer o corpo de Kiev, capital ucraniana, ao interior paulista.
Lucas deixou o Brasil em 12 de agosto motivado pela promessa de um salário mensal equivalente a cerca de R$ 25 mil e por uma indenização a ser paga à família em caso de morte, segundo relatado pela esposa Letícia Prado.
Ele é o segundo brasileiro morto no conflito apenas nesta semana: o mineiro Lucas Lima, de 30 anos, teve o óbito confirmado na quarta-feira (26).
De acordo com a família, além do atraente acordo financeiro, Lucas sempre demonstrou o desejo de integrar forças de combate e “lutar por uma causa”, o que teria pesado na decisão. Letícia relatou que inicialmente foi contra a ida do marido, mas acabou cedendo diante do entusiasmo dele.
Antes de embarcar, Lucas passou três dias em treinamento no Rio de Janeiro.
Apesar das promessas feitas pelo governo ucraniano, os familiares afirmam que receberam apenas R$ 7 mil nos dois primeiros meses, e que nenhum pagamento foi depositado nos meses seguintes. Letícia, que atualmente não está trabalhando, dependia do valor para sustento da família.

Com a morte confirmada, os parentes agora enfrentam o desafio financeiro para trazer o corpo até Campinas. Segundo eles, o governo brasileiro custeia somente o transporte de Kiev até Brasília.
Para completar os custos até o interior paulista, a irmã de Lucas, Diana Mirta de Campos, organizou uma vaquinha virtual com meta de R$ 10 mil. A arrecadação já ultrapassava R$ 11 mil até a tarde desta sexta-feira (28).
“Infelizmente nossa família não dispõe desse valor. Pedimos a colaboração para que possamos nos despedir e dar um enterro digno a ele”, diz a descrição da campanha.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores informou que não divulga dados pessoais de cidadãos que solicitam serviços consulares e que não comenta detalhes da assistência prestada.










